quarta-feira, março 25, 2026
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Músico do Oeste catarinense teve contato com os Mamonas Assassinas nos anos 90

Entre a sátira e a crítica, Tyto Livi se destacou por brincar com os sentidos das palavras

Foto: Rhuan Cenci/ ClicRDC

O humor sempre foi uma marca presente na música brasileira, assumindo diferentes formas ao longo do tempo. Nos anos 1990, ele ganhou projeção nacional com o estilo irreverente dos Mamonas Assassinas. Duas décadas antes, porém, já aparecia de maneira diferente nas composições de Tyto Livi, que utilizava a ironia como forma de crítica.

Foi justamente esse ponto em comum que os aproximou, ainda que brevemente. A partir de um contato inesperado, uma música cruzou caminhos com a banda em um momento de ascensão — criando uma conexão improvável entre gerações e estilos.

O encontro não aconteceu pessoalmente, mas através de uma carta escrita por  Tyto (Ortenilo Azzolini). Dias depois, o telefone tocou. Na linha, o vocalista Dinho. A ligação marcou o único contato direto entre o artista catarinense e a banda.

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Segundo o professor e músico Roberto Panarotto, o contato surgiu de forma espontânea. “A reação foi ter pegado o telefone e ligado para ele. O Tyto conta que ficou um tempo conversando com o Dinho”, relata.

Durante a conversa, uma das músicas enviadas chamou atenção: “Memórias de um Certo Louco”. A construção da letra, baseada em uma ambiguidade, entre o “louco qualquer” e o “louco com razão”, teria despertado o interesse do grupo.

“Acredito que tenha sido pela identificação com essa proposta bem-humorada da música”, explica Panarotto. “O Tyto tem essa característica em algumas letras, esse olhar diferente, que pode ser interpretado de forma irônica.”

Apesar do interesse, a aproximação não evoluiu para uma negociação formal. À época, os Mamonas Assassinas viviam uma ascensão acelerada, impulsionada pelo sucesso do primeiro álbum.

“Foi um telefonema de intenção, de agradecimento e de interesse nessa música específica. Não deu tempo de virar proposta”, afirma Panarotto. “Eles não tinham, até onde se sabe, perspectiva de gravar um novo disco naquele momento.”

Meses depois, em março de 1996, a trajetória da banda foi interrompida pelo acidente aéreo que vitimou todos os integrantes, encerrando também qualquer possibilidade de continuidade daquele contato.

Antes disso, uma trajetória pioneira

Muito antes desse episódio, Tyto Livi já construía um caminho próprio na música. Natural de Vargeão e com passagem por Chapecó, ele está entre os nomes que, ainda nos anos 1970, apostaram na produção autoral.

Em 1977, lançou o compacto “Memórias de um Certo Louco”, trabalho que reúne características marcantes de sua obra: letras com diferentes interpretações, alternando entre humor, crítica e observações sobre comportamento.

Ao relembrar esse período, o músico destaca o caráter independente da produção. “Era tudo muito limitado naquela época, mas existia essa vontade de fazer algo autoral, de colocar as ideias nas músicas”, comenta Tyto.

A construção das letras é um dos elementos centrais do trabalho do artista. O uso da ironia e do duplo sentido aparece como recurso frequente, criando interpretações que variam conforme o olhar de quem escuta.

“O ‘Memórias de um Certo Louco’ tem justamente essa ideia de dupla interpretação”, explica Tyto. “Pode ser um louco qualquer ou alguém que, de certa forma, tem razão no que diz.”

Uma paixão que atravessa o tempo

Mesmo com a afinidade com a música, Ortenilo Azzolini seguiu outro caminho profissional e ingressou no curso de Direito em 1977. Desde então, conciliou a carreira jurídica com uma paixão que nunca deixou de lado. Natural de Vargeão, atualmente mora em Chapecó e atua na área há cerca de 44 anos.

Ao longo desse período, a música permaneceu presente no cotidiano. “Entre um processo e outro, o violão está aí”, resume. Novas composições também surgem de forma espontânea, mantendo viva a relação com a criação artística.

Ao relembrar a própria trajetória, Tyto destaca que o reconhecimento nunca foi o principal objetivo. “Posso dizer que gravei, há 50 anos, um ‘disquinho’ que não trouxe o sucesso que muitas pessoas acham necessário para ser feliz. Mas me trouxe muita felicidade, mesmo sem esse sucesso de mídia”, afirma.

Para ele, o valor da obra vai além da repercussão. “Até hoje, isso me causa uma sensação boa. A sensação de que você fez alguma coisa que é histórica”, completa.

Foto: Rhuan Cenci/ ClicRDC

Confira alguns trechos de suas composições mais recentes:


Fogo na Caixa D”agua

Adão e Eva do paraíso
Foram expulso por desacato
Não souberam manter o decoro
Por isso perderam o mandato
Não pertenciam ao MST
Nem eram sócios do sindicato..

AS SANDÁLIAS DO DESCALÇO

Está chegando uma nova renascença
A nossa crença não pode ser desavença
A inteligência é uma superpotencia
A excelência é cuidar melhor da essência.

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