sexta-feira, março 20, 2026
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O aeroporto que faz girar R$ 1 bilhão na economia do Oeste de SC

Confira a coluna do professor Dr. Givanildo Silva

Prof. Givanildo Silva – Doutor em Ciências Contábeis e Administração.

Toda semana, cerca de 6,2 mil pessoas chegam de avião a Chapecó. Não é apenas um dado de aviação. É um fluxo econômico contínuo que ajuda a manter hotéis cheios, restaurantes ativos, locadoras rodando, eventos acontecendo, consultorias trabalhando e negócios sendo fechados em toda a região Oeste de Santa Catarina.

Em 2025, o aeroporto de Chapecó movimentou aproximadamente 648 mil passageiros ao longo do ano, somando embarques e desembarques. Metade disso são chegadas: algo próximo de 324 mil pessoas por ano desembarcando na principal porta aérea do Oeste catarinense. Quando se olha para esses números com lente econômica, o impacto é expressivo.

Nem todo passageiro que desembarca gera “dinheiro novo” para a economia local. Muitos são moradores retornando. Ainda assim, estudos e experiências de aeroportos regionais indicam que entre 35% e 55% dos desembarques correspondem a visitantes — pessoas que vêm para negócios, saúde, educação, eventos, visitas técnicas ou lazer e que efetivamente gastam na região.

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Considerando um gasto médio por viagem entre R$ 1.800 e R$ 3.000, valor compatível com viagens nacionais de negócios e serviços, o fluxo aéreo de Chapecó injeta algo entre R$ 200 milhões e R$ 530 milhões por ano em consumo direto na economia regional. Dinheiro que se espalha por hotelaria, alimentação, transporte terrestre, comércio, serviços profissionais, saúde privada, educação executiva e eventos corporativos.

E o efeito não para aí. Esse gasto direto puxa fornecedores, gera renda para trabalhadores e ativa cadeias inteiras. Aplicando multiplicadores econômicos conservadores, o impacto total do fluxo aéreo pode se aproximar de R$ 300 milhões a quase R$ 1 bilhão por ano na economia do Oeste. Não é exagero: é ordem de grandeza.

Outro dado pouco debatido é o emprego. Modelos nacionais de impacto do transporte aéreo indicam algo em torno de 13 a 14 empregos sustentados para cada mil passageiros ao longo da cadeia econômica. Aplicado à realidade de Chapecó, isso sugere que mais de 8 mil postos de trabalho estão direta ou indiretamente ligados a esse movimento de pessoas que chegam e saem de avião da região.

O aeroporto, portanto, não é apenas infraestrutura logística. É infraestrutura de crescimento econômico. Ele conecta o Oeste a centros decisórios, atrai investimentos, viabiliza negócios de maior valor agregado e reduz o isolamento geográfico de uma região fortemente produtiva, mas distante dos grandes mercados consumidores.

O risco é tratar esse ativo como algo automático, que “se sustenta sozinho”. Não se sustenta. Frequência de voos, horários adequados para negócios, acesso viário eficiente, integração com hotelaria, centros de eventos, hospitais, universidades e polos industriais fazem diferença direta no tamanho desse impacto econômico.

Quando um voo é cancelado ou uma rota é perdida, o prejuízo não aparece apenas na sala de embarque. Ele aparece na conta do hotel vazio, no restaurante com mesas ociosas, no evento que não acontece, no negócio que deixa de ser fechado. O inverso também é verdadeiro: cada nova frequência, cada rota bem posicionada, amplia o giro da economia regional.

O Oeste catarinense costuma falar muito de produção, exportação e agroindústria — com razão. Mas há um motor silencioso girando toda semana, pousando e decolando em Chapecó, que movimenta centenas de milhões de reais por ano. Ignorar esse motor é abrir mão de desenvolvimento. Cuidar dele é estratégia econômica, não luxo.

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