sexta-feira, março 13, 2026
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As implicações da Guerra Irã–EUA–Israel para o Brasil – Parte 1

Confira a coluna do jornalista André de Lazzari

Foto: Isadora Reichert

O cientista político de Videira, Caleb Bentes, estará colaborando nas edições da coluna de hoje (13), segunda-feira (16) e terça-feira (17), abordando as consequências da guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel para o Brasil, com detalhamentos específicos para o Oeste Catarinense.

A guerra iniciada em 28 de fevereiro de 2026 entre os três países, para Caleb, é um dos eventos geopolíticos mais relevantes das últimas décadas: “Ele irá remodelar o equilíbrio de poder no Oriente Médio, e tem potencial de produzir efeitos econômicos globais comparáveis aos grandes choques petrolíferos da década de 1970”, afirma.

O conflito teve início com ataques aéreos coordenados entre Washington e Tel Aviv que atingiram múltiplos alvos iranianos e resultaram na morte do líder supremo iraniano, Aiatolá Ali Khamenei, além de outros membros da elite militar e política do país. A operação teve caráter de “decapitação do regime”, buscando desorganizar a liderança iraniana e reduzir rapidamente sua capacidade militar.

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Entretanto, a expectativa de que a eliminação do líder supremo poderia precipitar uma mudança de regime mostrou-se equivocada. Em poucos dias, a elite política e militar iraniana reorganizou a sucessão, elevando ao cargo de líder supremo o filho do antigo dirigente, Mojtaba Khamenei, figura associada aos setores mais duros do regime e apoiada pelo Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica.

Para Bentes, essa rápida recomposição do poder é uma característica da geopolítica do Oriente Médio onde regimes ideológicos profundamente institucionalizados tendem a possuir mecanismos de continuidade que sobrevivem à eliminação de lideranças individuais: “Avaliações da própria inteligência americana antes da guerra já indicavam que uma intervenção militar dificilmente produziria mudança de regime no Irã, justamente pela ausência de uma oposição organizada capaz de assumir o poder”.

Na opinião de Caleb, um dos erros estratégicos mais evidentes do conflito parece ser a leitura política feita pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump: “Sua abordagem tradicional baseia-se na lógica da pressão máxima, ou seja, elevar custos econômicos e militares até que o adversário aceite negociar ou capitular. Essa lógica funciona com relativa frequência em disputas comerciais ou em conflitos com Estados mais dependentes da ordem internacional liderada pelos Estados Unidos”.

Entretanto, Bentes afirma que a lógica de Trump se mostra muito menos eficaz quando aplicada a regimes revolucionários ou teocráticos, cuja legitimidade política está justamente associada à resistência contra pressões externas: “Ao dobrar a aposta militar sem apresentar uma estratégia clara de saída, Washington entra em um cenário de escalada sem objetivo definido. O custo operacional da guerra já se aproxima de cerca de 900 milhões de dólares por dia aos cofres americanos, enquanto o conflito expande-se por todo o Oriente Médio”.

Bases americanas no Golfo Pérsico foram atingidas por mísseis e drones iranianos, enquanto a infraestrutura energética de aliados dos Estados Unidos, como Arábia Saudita e Catar, tornaram-se alvo de ataques: “Esse tipo de guerra com múltiplos vetores assimétricos é precisamente o tipo de conflito no qual o Irã se preparou fortemente ao longo das últimas décadas”, conclui Caleb.

Recadinhos

  • Uma excelente observação de um ouvinte da Condá FM, professor universitário, sobre Gelson Merísio: os ex-ministros Paulo Bernardo, Kátia Abreu e Henrique Meirelles já foram colegas do xanxerense no Conselho de Administração da JBS.
  • Toda essa articulação chega ao Estado com provável respaldo de Brasília: conforme o repórter Matheus Bastos, do portal nd+, a frente ampla que Merísio quer construir deveria ir “do PSOL ao MDB”, capturando as esquerdas e o centro.
  • O pré-candidato a governador pelo Solidariedade (por enquanto), com certeza, tem vida mais tranquila do que João Rodrigues. As últimas horas demonstraram isso claramente.
  • Amanhã (14), os moradores do Goio-Ên precisam comparecer em peso na audiência pública para discutir a revisão dos artigos do Plano Diretor que competem ao distrito. O jornalismo da Condá FM estará ao vivo cobrindo as discussões.
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