quarta-feira, março 11, 2026
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O colapso do Cartel Jalisco Nova Geração e a ascensão do PCC no Brasil

Confira a coluna do jornalista André de Lazzari

Foto: Isadora Reichert

O presidente do Conselho de Segurança de Chapecó e professor de Pós-Graduação em Segurança Pública, Márcio Bueno, está colaborando em três edições da coluna nesta semana, abordando a possibilidade real do aumento expansivo do narcotráfico no Brasil, com visão analítica sobre o assunto, perante recentes posicionamentos do governo brasileiro. Nesta segunda edição, vamos falar dos fatos recentes ocorridos no México.

A morte de “El Mencho”, líder do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), em fevereiro, para Márcio, marcou o fim de uma era: O CJNG, com sua estrutura de comando rígida, agora enfrenta fragmentação sob pressão dos governos de direita alinhados a Donald Trump. Seus sucessores competem por território, e a organização perde coesão operacional. É nesse vácuo que o PCC avança, especialmente porque o Brasil não está alinhado ao combate coordenado”.

Operando como uma verdadeira indústria do crime, o PCC não depende de um único líder, na opinião de Bueno: “Seu modelo descentralizado permite que continue funcionando mesmo sob pressão. Com operações em 28 países e alianças consolidadas desde 2014, o PCC está absorvendo as rotas, mercados e recursos que o CJNG deixa para trás. O cartel controlava rotas estratégicas de cocaína colombiana para os Estados Unidos e México, além de operações de fentanil sintético, minerais ilegais, roubo de combustível e produção de metanfetamina”.

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De acordo com Márcio, o PCC, com sua estrutura descentralizada, está consolidando o controle dessas rotas, particularmente as que passam pela América do Sul: cocaína colombiana e peruana redirecionada via Brasil para a Europa e África, fentanil sintético produzido na China e distribuído globalmente, precursores químicos para produção de drogas, e operações de minerais ilegais na Amazônia.

Para Bueno, enquanto governos de direita alinhados ao presidente dos Estados Unidos focam em combate militar contra cartéis mexicanos e venezuelanos, o PCC expande suas operações na América do Sul, especialmente no Brasil, onde a ausência de alinhamento com a estratégia regional permite maior liberdade operacional.

A Colômbia e o redirecionamento das rotas

O maior produtor de cocaína do mundo representa um ponto de inflexão crítico, na opinião de Márcio: “A possibilidade de eleição de um presidente de direita alinhado às políticas antidrogas de Trump intensificaria ainda mais o combate aos cartéis tradicionais e às rotas de tráfico pela América Central e México. Com essa mudança política, toda a cocaína colombiana e peruana seria redirecionada para a América do Sul, especialmente para o Brasil, onde o PCC operaria sem interferência coordenada”.

Na Venezuela, a captura de Maduro em janeiro, conforme Bueno, deixou um vácuo institucional que enfraquece o controle estatal sobre rotas de tráfico: “Esses cenários de instabilidade política não reduzem o tráfico, o redirecionam para o PCC, transformando o Brasil na rota principal”. Confirmando-se as afirmações do especialista em segurança pública, o nosso país terá que responder na urna, em outubro, de que lado da história quer estar, mesmo que o debate não chegue aos palanques políticos.

Recadinhos

  • O Grupo Pão de Açúcar e a Raízen, duas das maiores empresas do país, tiveram uma terça-feira nada agradável. Ambas estavam há algum tempo em situações complicadas, e, ontem, oficializaram seus pedidos de recuperação extrajudicial.
  • Diferente da judicial, a recuperação extrajudicial acontece quando a companhia já chega ao tribunal com um acordo prévio costurado com seus principais credores.
  • Conforme a newsletter The News, o pedido do Grupo Pão de Açúcar, dono das bandeiras Pão de Açúcar e Extra, engloba a renegociação de uma dívida que soma cerca de R$ 4,5 bilhões. O movimento deve dar fôlego ao caixa.
  • Já a Raízen, gigante do setor de energia e combustíveis, não resistiu à pressão e acionou a recuperação extrajudicial para renegociar uma dívida que atinge a marca dos R$ 65 bilhões.
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