
A economia de Chapecó em 2025 apresenta um quadro que exige leitura menos imediatista e mais de “grande imagem”. Isso é o que afirma o cientista político Caleb Bentes, de Videira, em uma nova colaboração com nossa coluna, que será publicada em duas partes a partir de hoje (11).
Chapecó gerou um saldo positivo de 2.844 empregos formais em 2025, o que embora seja o menor dos últimos cinco anos, não pode ser interpretado como sinal de reversão de ciclo, de acordo com Caleb: “Ele ocorre após uma sequência prolongada de crescimento econômico acelerado, no qual o município acumulou uma expansão de 64,6% do PIB em cinco anos, e, no caso de Chapecó, devemos ficar atentos ao maior nível de automação das cadeias industriais, que afeta diretamente na quantidade de mão de obra necessária”.
Essa leitura se reforça, na visão de Bentes, quando observamos o desempenho externo do município: “Chapecó ampliou seu volume de exportações em quase 70% em apenas um ano, saltando de US$ 132,1 milhões em 2024 para US$ 224,1 milhões em 2025. Um crescimento expressivo, pouco comum mesmo em economias locais fortemente integradas ao comércio internacional”.
O saldo da balança comercial, que saiu de um saldo negativo para um superávit superior a US$ 76 milhões, para Caleb, mostra que o município soube aproveitar uma conjuntura internacional instável, na qual segurança alimentar, confiabilidade de fornecimento e escala produtiva se tornaram ainda mais relevantes: “Do ponto de vista político-econômico, Chapecó ocupa hoje uma posição rara entre municípios médios brasileiros, sendo simultaneamente produtora, exportadora e articuladora de cadeias complexas de valor”.
Entretanto, Bentes defende a observação de alguns pontos como o próprio desempenho do emprego: “Chapecó teve crescimento econômico robusto, mas sem expansão proporcional do emprego. A questão aqui deixa de ser quanto crescemos, e passa a ser como crescemos e o que estamos construindo para a próxima década. Nesse sentido, a manutenção do bom desempenho econômico de Chapecó dependerá da capacidade do município de desenhar um projeto de desenvolvimento de longo prazo”.
Para Caleb, isso passa pelo aprofundamento em direção a estágios mais complexos da cadeia produtiva: biotecnologia, genética animal, automação industrial, alimentos de alto valor agregado, economia de dados aplicada à produção e logística inteligente. “A atração de investimentos em tecnologia precisa caminhar junto com a qualificação da mão de obra local, sob pena de criar um descompasso entre demanda produtiva e oferta de capital humano”.
Recadinhos
- Um alerta de Bentes que vale para todo o Brasil: municípios que crescem rápido sem investir de forma consistente em formação técnica e superior tendem a enfrentar gargalos salariais, escassez de profissionais e perda de competitividade.
- Nova pesquisa Apex/Futura para a Presidência da República, publicada ontem (10), mostra empate técnico entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na disputa de 1º turno, e vitória de Flávio no 2º turno.
- Não acredito nessa pesquisa, pois a Apex/Futura sempre foi um instituto que trouxe números favoráveis à família Bolsonaro nas eleições de 2022, e acabou errando.
- Julgamento de Jorge Seif: ontem à noite, no plenário do TSE, em Brasília, o ministro relator do caso que pode cassar o senador do PL catarinense votou pela manutenção do cargo. Os demais ministros votam a partir das 10h de amanhã (12).






