
Por indicação de um leitor da coluna, observamos com maior cuidado o Acordo de Cooperação Técnica entre a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) e a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) para a viabilização da construção e manutenção de um Hospital Universitário em Chapecó. O acordo foi assinado no dia 10 de dezembro, um dia depois da visita do ministro da Educação, Camilo Santana, ao Campus Chapecó da UFFS.
Neste acordo, constam compromissos comuns entre as partes, como planejar, executar e monitorar conjuntamente as ações do Acordo de Cooperação, ajustando metas quando necessário; cumprir as atribuições estabelecidas no acordo e colaborar mutuamente para sua plena execução; disponibilizar, com recursos próprios, os meios humanos, materiais e tecnológicos necessários; e compartilhar informações necessárias ao cumprimento das obrigações assumidas.
Entretanto, quando começam a ser esclarecidas as responsabilidades exclusivas da Ebserh e da UFFS, começamos a ver uma perigosa disparidade. A Ebserh se compromete em dar apoio na realização de estudos de demanda e oferta de serviços de saúde na região Oeste Catarinense e na definição do perfil assistencial e de ensino do hospital universitário, de acordo com as necessidades locais e regionais; além de cooperar nos estudos preliminares de arquitetura e engenharia e na avaliação dos projetos. Prestou atenção? Cooperar.
Logo abaixo, estão na cláusula quinta do Acordo de Cooperação os compromissos da UFFS, que incluem, de forma exclusiva, a responsabilidade de elaborar estudos e projetos preliminares de arquitetura e engenharia para a construção do hospital, e captar recursos e financiamento para a construção e manutenção do hospital. O acordo deixa claro que nem a Ebserh, nem a UFFS podem pedir recursos adicionais para cumprimento do documento, ou seja, precisam trabalhar com o pessoal e os recursos que possuem.
O cumprimento do acordo tem data: 9 de dezembro de 2027. Se todas as cláusulas não forem cumpridas até lá, não haverá Hospital Universitário em Chapecó. Entendo que o projeto corre risco de não se tornar realidade em função do parco orçamento da UFFS, que não consegue ter o número suficiente de professores, com remuneração decente, para atender os acadêmicos que, mesmo assim, se dedicam e fazem com que a universidade tenha bons índices nos exames federais.
Recadinhos
- Um esclarecimento quanto à pauta de maus tratos aos animais: quando tratamos dos casos de zoofilia na edição de ontem (02) da coluna, falamos sobre o pedido por punições mais severas. A Polícia Civil deu início às investigações assim que procurada.
- Desde que o presidente da Argentina, Javier Milei, abriu a economia para o livre mercado, comprar do exterior deixou de ser exceção e virou rotina para grande parte dos “hermanos”, conforme a newsletter The News.
- No ano passado, as importações de bens de consumo saltaram 55%, batendo US$ 11,4 bilhões. Só nas compras online internacionais, o volume quase triplicou, chegando a US$ 955 milhões.
- Na prática, os argentinos passaram a comprar direto de fora produtos como Lego, computadores da Apple, garrafas Stanley, roupas e eletrônicos.






