segunda-feira, fevereiro 2, 2026
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O que deve-se entender da anistia na Venezuela

Confira a coluna do jornalista André de Lazzari

Foto: Grupo Condá de Comunicação

Na noite de sexta-feira (30), a presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou uma anistia na Venezuela. Para o professor, engenheiro de sistemas e ex-integrante do Exército venezuelano, Alexander Aragol, que novamente colabora com a coluna, esta foi uma decisão magnífica, majestosa, quase épica: “Tão nobre que, por um instante, pareceu que o regime havia descoberto subitamente o valor da justiça, da reconciliação e dos direitos humanos. Quase”.

Aragol qualifica como “forçados” os aplausos à medida, e questiona o que acontecerá com os torturadores que violaram os direitos humanos de milhares de venezeulanos nos últimos anos: “Que lugar ocupam pessoas como Diosdado Cabello, Granko e toda aquela cadeia de funcionários que transformaram a tortura, a perseguição e o medo em política de Estado nesta anistia?”

Alexander também questiona se haverá anistia para os procuradores e juízes que prenderam inocentes por capricho, por obediência cega ou por servilismo político: “A anistia é apenas para alguns, enquanto os verdadeiramente responsáveis ​​permanecem intocáveis ​​e protegidos pelo poder?”

- Continua após o anúncio -

Para Aragol, anistia sem justiça não é reconciliação, é impunidade: “A Venezuela já pagou um preço alto demais pela impunidade para continuar engolindo retórica vazia. Mas há algo ainda mais revelador em todo esse anúncio: Delcy, mais uma vez, você está se apropriando de uma decisão que não é sua. Porque isso não é um ato soberano, nem uma demonstração de autonomia política. Isso é, mais uma vez, uma ordem emitida pelos Estados Unidos”.

Alexander afirma que isso, mais uma vez, expõe que o poder que se vangloria de sua força continua a reagir sob pressão externa, disfarçando concessões forçadas como se fossem suas próprias decisões: “Sim, a anistia soa grandiosa. Mas, quando se olha de perto, cheira mais a imposição internacional do que a um desejo por justiça, e mais a uma estratégia de sobrevivência política do que a uma mudança real. O povo venezuelano não precisa de anúncios bombásticos. Precisa de verdade, justiça e que os responsáveis ​​sejam responsabilizados pelo que fizeram. Todo o resto é propaganda”, conclui o professor.

Recadinhos

  • Na tarde de ontem (1⁰), cerca de 200 pessoas participaram no Ecoparque, em Chapecó, de uma manifestação pedindo justiça no caso do cão Orelha, morto por adolescentes em Florianópolis no início de janeiro.
  • As principais pautas do protesto foram a federalização do caso, passando a investigação para a Polícia Federal e a criação de uma delegacia especializada em maus-tratos aos animais em Chapecó.
  • A manifestação também defendeu a redução da maioridade penal para autores de maus tratos a animais, crianças, adolescentes, mulheres e idosos.
  • Conversei com o vereador Wilson Cidrão (Republicanos), um dos líderes do protesto, que chegou a mencionar casos de zoofilia com porcos em municípios vizinhos a Chapecó. Estas situações, conforme o parlamentar, não estão tendo atenção adequada.
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