
Na noite de sexta-feira (30), a presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou uma anistia na Venezuela. Para o professor, engenheiro de sistemas e ex-integrante do Exército venezuelano, Alexander Aragol, que novamente colabora com a coluna, esta foi uma decisão magnífica, majestosa, quase épica: “Tão nobre que, por um instante, pareceu que o regime havia descoberto subitamente o valor da justiça, da reconciliação e dos direitos humanos. Quase”.
Aragol qualifica como “forçados” os aplausos à medida, e questiona o que acontecerá com os torturadores que violaram os direitos humanos de milhares de venezeulanos nos últimos anos: “Que lugar ocupam pessoas como Diosdado Cabello, Granko e toda aquela cadeia de funcionários que transformaram a tortura, a perseguição e o medo em política de Estado nesta anistia?”
Alexander também questiona se haverá anistia para os procuradores e juízes que prenderam inocentes por capricho, por obediência cega ou por servilismo político: “A anistia é apenas para alguns, enquanto os verdadeiramente responsáveis permanecem intocáveis e protegidos pelo poder?”
Para Aragol, anistia sem justiça não é reconciliação, é impunidade: “A Venezuela já pagou um preço alto demais pela impunidade para continuar engolindo retórica vazia. Mas há algo ainda mais revelador em todo esse anúncio: Delcy, mais uma vez, você está se apropriando de uma decisão que não é sua. Porque isso não é um ato soberano, nem uma demonstração de autonomia política. Isso é, mais uma vez, uma ordem emitida pelos Estados Unidos”.
Alexander afirma que isso, mais uma vez, expõe que o poder que se vangloria de sua força continua a reagir sob pressão externa, disfarçando concessões forçadas como se fossem suas próprias decisões: “Sim, a anistia soa grandiosa. Mas, quando se olha de perto, cheira mais a imposição internacional do que a um desejo por justiça, e mais a uma estratégia de sobrevivência política do que a uma mudança real. O povo venezuelano não precisa de anúncios bombásticos. Precisa de verdade, justiça e que os responsáveis sejam responsabilizados pelo que fizeram. Todo o resto é propaganda”, conclui o professor.
Recadinhos
- Na tarde de ontem (1⁰), cerca de 200 pessoas participaram no Ecoparque, em Chapecó, de uma manifestação pedindo justiça no caso do cão Orelha, morto por adolescentes em Florianópolis no início de janeiro.
- As principais pautas do protesto foram a federalização do caso, passando a investigação para a Polícia Federal e a criação de uma delegacia especializada em maus-tratos aos animais em Chapecó.
- A manifestação também defendeu a redução da maioridade penal para autores de maus tratos a animais, crianças, adolescentes, mulheres e idosos.
- Conversei com o vereador Wilson Cidrão (Republicanos), um dos líderes do protesto, que chegou a mencionar casos de zoofilia com porcos em municípios vizinhos a Chapecó. Estas situações, conforme o parlamentar, não estão tendo atenção adequada.







