segunda-feira, janeiro 26, 2026
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A chegada histórica e o significado político do “Acorda Brasil”

Confira a coluna do professor Dr. Givanildo Silva

Prof. Givanildo Silva – Doutor em Ciências Contábeis e Administração.

No domingo, 25 de janeiro de 2026, a Praça do Cruzeiro, em Brasília, tornou-se palco de um dos momentos mais vigorosos da mobilização popular recente no Brasil. A manifestação convocada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (Partido Liberal-MG), que ganhou o nome de “Acorda Brasil” ou “Caminhada pela Liberdade”, concluiu uma jornada de 240 quilômetros iniciada em 19 de janeiro em Paracatu (MG) — uma rota que cruzou Minas Gerais e Goiás até a capital federal. O gesto, que começou como um ato individual e ganhou adesão ao longo do percurso, terminou reunindo milhares de apoiadores e ganhando relevância nacional.

De acordo com levantamento do monitor do debate político da Universidade de São Paulo, em parceria com a ONG More in Common, o ato na praça reuniu aproximadamente 18.000 pessoas no pico da manifestação. A contagem foi feita a partir de 24 imagens aéreas capturadas em horários distintos, com uma margem de erro estimada em 12%, indicando um intervalo entre 15.800 e 20.100 participantes no momento mais concentrado do evento.

Em um país com polarização política intensa, esses números não apenas atestam a amplitude da mobilização física, mas também refletem quilometragem política — uma marcha que transcendeu quilômetros para se tornar símbolo de insatisfação de um segmento da sociedade com rumos institucionais e decisões recentes dos poderes públicos.

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Do alto de um carro de som na Praça do Cruzeiro, Nikolas Ferreira fez um discurso que combinou crítica institucional, convocação à ação cívica e afirmação de identidade política. Em sua fala, ele direcionou uma mensagem firme ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, com a frase incisiva de que “o Brasil não tem medo de você”. Essa declaração encapsula boa parte do espírito da mobilização: um convite à assertividade política diante de instituições percebidas por seus apoiadores como fora de sintonia com as aspirações populares.

Mais do que um gesto de contestação, a fala de Nikolas tentou reposicionar o ato como um instrumento de “despertar do país” para o que ele chamou de crise na saúde, educação e outros serviços públicos. Para ele, a manifestação não teve objetivo de tomar o poder, mas de recobrar a voz cidadã e reorientar a discussão pública em torno de temas que considera negligenciados.

A escolha de um trajeto de mais de duas centenas de quilômetros e a chegada em uma praça tradicional de atos políticos fazem lembrar marchas históricas em outras partes do mundo, nas quais a caminhada física se traduz em metáfora de compromisso e resiliência política. Ainda que o modelo da mobilização desperte debates polarizados, não há como negar que a dimensão logística e simbólica da ação teve impacto — tanto na cena política real quanto nas redes sociais, onde a presença digital do movimento superou expectativas em volume de interações e engajamento.

Os dados de participação e o próprio percurso são parte da construção narrativa do movimento. Um evento que durou dias, cobriu 240 km e atraiu cerca de 18.000 participantes em um sábado chuvoso, sob condições climáticas adversas, demonstra capacidade de mobilização e coesão entre apoiadores. Esses números, por si só, são um marcador político: em um contexto de debates acirrados sobre liberdade de expressão, limites institucionais e o papel do cidadão na política, atrair dezenas de milhares de pessoas a pé para a capital federal é um indicador de que a mensagem encontrou ressonância substancial.

Do ponto de vista de opinião, o “Acorda Brasil” de Nikolas Ferreira pode ser interpretada como uma resposta visceral a um momento em que muitos eleitores sentem que as instituições democráticas e os rumos políticos do país estão distantes de suas expectativas. A caminhada expressa um desejo de protagonismo cívico que não se esgota na crítica, mas se expande para a insistência em participação ativa do público nas grandes questões nacionais.

Independentemente das críticas e controvérsias, a manifestação é um sinal claro de que parcelas significativas da população estão dispostas a se deslocar, unir vozes e afirmar uma narrativa alternativa no debate público. Essa disposição de rua, traduzida em quase 20 mil vozes em Brasília, merece ser compreendida em sua totalidade — como fenômeno político, como expressão de sentimento coletivo e como componente de uma democracia dinâmica em processo de transformação.

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