
O caso envolvendo a morte de Sedinei, 42 anos, morto a tiro dentro de sua residência em 20 de junho de 2025, no interior de Paial, Oeste de Santa Catarina, ganhou um novo capítulo com a manifestação formal da defesa da acusada, Adriana Terezinha Bagestan.
A defesa, representada pelo Escritório Cagliari & Signori Advogados e Associados, divulgou uma nota pública contestando as alegações iniciais e reafirmando que a cliente sofria um histórico prolongado de violência doméstica por parte da vítima.
Nota da Defesa: Contestação e Fuga
A nota, emitida em Chapecó, visa esclarecer pontos cruciais antes do Tribunal do Júri:
NOTA À IMPRENSA
”Chapecó, SC, 15 de janeiro de 2025.
O Escritório Cagliari & Signori Advogados e Associados, na condição de defesa da senhora
Adriana Terezinha Bagestan, vem a público, esclarecer pontos relevantes acerca do processo criminal em que nossa cliente figura como ré. Desde o fato ocorrido em 20 de junho de 2025, a defesa tem mantido postura de cautela e discrição, visando proteger a senhora Adriana, seus filhos e familiares, bem como resguardar o devido processo legal.
Diante da proximidade do Tribunal do Júri e considerando manifestações públicas veiculadas
no curso processual, tanto por parte da autoridade policial quanto em mídias, a defesa se posiciona,
sobretudo, as acusações de que seria “mentira” que Adriana sofria violência doméstica. Ainda,
reafirmamos nosso compromisso com o devido processo legal e com a integridade do julgamento: não comentaremos provas específicas.
É fundamental esclarecer a narrativa de que nossa cliente teria “fugido”. A senhora Adriana
não fugiu para Chapecó. Ao contrário, foi ela quem solicitou que seu cunhado chamasse a polícia, pois pretendia se apresentar à autoridade policial. O deslocamento até Chapecó ocorreu exclusivamente para buscar auxílio e encontrar um advogado criminalista, já que não conseguiu naquele momento esse suporte na cidade de Paial.
As afirmações públicas feitas em entrevistas durante a fase do inquérito policial, com
opiniões e achismos, amplamente repercutidas, não se confirmaram no curso processual. Afirmações públicas de que nossa cliente “não sofria violência doméstica pela ausência de boletim de ocorrência”, não encontrou comprovação em juízo. Diversas pessoas manifestaram que sabiam como era a relação doméstica do núcleo familiar.
No que diz respeito às acusações de que seriam “mentiras” as declarações sobre violência, a
defesa apresentou elementos probatórios relevantes, incluindo 8 testemunhas (as mais importantes) e o depoimento especial da filha (relatando como era a vivência e o que sua mãe e ela sofriam). Relatos convergentes sobre um histórico prolongado de agressões verbais, físicas e patrimoniais, ameaças e controle no âmbito familiar, testemunhas oculares da conduta em sociedade do ex-companheiro de Adriana, ao longo de aproximadamente 15 anos, tanto na cidade de Chapecó quanto em Paial.
Adriana ficou em silêncio por vergonha e medo de falar o que acontecia em seu seio familiar:
medo dele, medo do que as pessoas iam falar, vergonha perante a sociedade. É necessário reconhecer uma realidade conhecida em casos de violência doméstica: muitas vítimas permanecem em silêncio por medo, vergonha e pressão social, na tentativa de proteger os filhos e evitar exposição familiar, foi o caso de Adriana. Não é incomum que, diante de marcas e lesões, surjam justificativas como: “cai na estrebaria”, “levei um coice de uma vaca” ou “bati no carro” (versões de Adriana quando questionada sobre lesões), o que revela a complexidade e a invisibilidade de uma violência que, muitas vezes, acontece “entre quatro paredes”. Quando alguém presenciava algo, o pedido era o mesmo: “por favor, não conta para minha família”. Essa violência pode se apresentar de diversas formas: física, psicológica, patrimonial, moral e financeira.
A senhora Adriana, além disso, sempre foi reconhecida como trabalhadora do campo, com
rotina exaustiva e marcada por responsabilidades diárias, inclusive lidando com dores crônicas
(Fibromialgia). Participante ativa da comunidade e de atividades religiosas e, segundo relatos, sempre prestou ajuda quando solicitada. Adriana, nos últimos tempos, cerca de 10 a 15 dias antes do fatídico, afirmava para as pessoas que trabalhavam na comunidade com ela que não aguentava mais, que estava cansada. Ao ser questionada, ficava em silêncio e olhava para o horizonte. Adriana cansou e, entre tirar sua própria vida, pensou em seus filhos. Como uma testemunha disse: “eu nunca entendi por que ela tratava ele tão bem”.
Diante disso, a defesa reafirma que confia no regular andamento do processo e no julgamento pelo Tribunal do Júri, com respeito ao contraditório e à ampla defesa. Reitera, ainda, o pedido de responsabilidade na divulgação de informações, sem conhecimento sobre os autos e as provas que nele compõe, a fim de evitar conclusões precipitadas e exposição indevida de nossa cliente e seus familiares, sobretudo às vésperas da sessão de julgamento. Por fim, o Escritório Cagliari & Signori
Advogados e Associados, por meio dos advogados Ana Paula Signori e Cleiber Renato Cagliari,
permanece à disposição para esclarecimentos institucionais, dentro dos limites éticos e legais”; finaliza a nota.
O julgamento de Adriana está marcado para o dia 11 de fevereiro no Fórum da Comarca de Chapecó.












