quinta-feira, janeiro 15, 2026
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Cientista político afirma que acordo comercial Mercosul-UE beneficiará Chapecó – Parte 2

Confira a coluna do jornalista André de Lazzari

Foto: Grupo Condá de Comunicação

Na última sexta-feira (9), a União Europeia aprovou a versão final do acordo comercial com o Mercosul, que deve ser levado para apreciação dos Congressos Nacionais dos países do Mercosul nos próximos dias. Tendo em vista este momento histórico, o cientista político Caleb Bentes, da D’América Consultoria Geopolítica, de Videira, novamente colabora com esta coluna para, em duas partes, trazer uma análise que sustenta a tese de que Chapecó vai ter sua fatia do bolo dentro do acordo comercial que está prestes a ser uma realidade.

O acordo Mercosul–União Europeia prevê a liberalização de 91% dos produtos que compõem a relação comercial entre os dois blocos, reduzindo tarifas, ampliando cotas e, sobretudo, oferecendo previsibilidade regulatória em um ambiente internacional cada vez mais volátil: “Para Chapecó, cuja base produtiva está ancorada na agroindústria industrializada, isso significa produzir sob regras claras, planejar investimentos de longo prazo e disputar mercados que remuneram qualidade, escala e conformidade ESG”, afirma Caleb.

Com a ruptura progressiva da ordem global construída no pós-guerra, os Estados Unidos foram, por década, o principal fiador das regras, instituições e expectativas que organizaram o comércio, as finanças e a política internacional: “Esse foi o mundo em que crescemos e no qual nossos pais estruturaram suas vidas. Ao enfraquecer deliberadamente essas regras, desacreditar instituições multilaterais e substituir a previsibilidade por barganha de curto prazo, os Estados Unidos aceleraram a fragmentação do sistema internacional que eles próprios criaram”, aponta Bentes.

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Diante disso, na visão de Caleb, países e blocos não buscam parceiros ideais, mas parceiros confiáveis: “O acordo entre Mercosul e União Europeia nasce desse instinto de sobrevivência. É uma tentativa de preservar o multilateralismo em meio ao avanço da lógica de poder bruto. Por isso, Chapecó pode encontrar brechas em um mundo em crise. Seus dados de comércio exterior, seu saldo positivo e o peso da indústria no emprego mostram que a instabilidade global não produz somente perdas, mas também redistribui oportunidades”.

A realpolitik (“política realista”, em alemão) ensina que sistemas não colapsam de uma vez, eles se rearranjam. Bentes conclui afirmando que, nesse rearranjo, quem possui capacidade produtiva, inserção internacional e leitura correta do tabuleiro tende a sofrer menos, e, em alguns casos, a crescer: “Chapecó não está imune ao caos do sistema internacional, mas também não está condenada por ele”.

Recadinhos

  • No ano passado, estrangeiros colocaram R$ 27 bilhões em ações brasileiras, conforme a newsletter The News. O apetite segue em alta para 2026, com R$ 750 milhões aportados só na primeira semana do ano.
  • Mas, quando olhamos o fluxo cambial, que inclui não só a Bolsa, mas também remessas de lucros, dividendos, investimentos diretos e movimentações de empresas e bancos, o sinal é de alerta.
  • Em 2025, o Brasil registrou uma saída líquida de US$ 33,3 bilhões, a segunda maior da série histórica, iniciada em 1982. O principal gatilho foi a tributação de dividendos.
  • Na prática, o Brasil continua atraente para quem quer retorno em ações, prova disso é o Ibovespa, que subiu 34% em 2025. Mas, quando o assunto é previsibilidade fiscal e segurança regulatória, o capital ainda prefere manter um pé fora do país.
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