
Na última sexta-feira (9), uma novela de 26 anos chegou ao fim. Finalmente, a União Europeia aprovava a versão final do acordo comercial com o Mercosul, que deve ser assinado nos próximos dias, quando a presidente da Comissão Europeia, Ursula von Leyen, entregaria o documento ao presidente do Paraguai, Santiago Peña, em Assunção. O presidente paraguaio é o atual presidente do Mercosul, e ele é responsável por entregar aos presidentes do bloco o acordo para aprovação pelos Congressos Nacionais de cada país.
Tendo em vista este momento histórico, o cientista político Caleb Bentes, da D’América Consultoria Geopolítica, de Videira, novamente colabora com esta coluna para, em duas partes, trazer uma análise que sustenta a tese de que Chapecó vai ter sua fatia do bolo dentro do acordo comercial que está prestes a ser uma realidade concreta.
Os números do comércio exterior de Chapecó entre janeiro e novembro de 2025 são interessantes: o município exportou US$ 200 milhões, importou US$ 132 milhões e reverteu um saldo negativo na balança comercial de US$ 20 milhões em 2024 para um saldo positivo de US$ 67,7 milhões. Alimentos e bebidas lideram as exportações com larga vantagem, seguidos por máquinas, equipamentos e produtos agroindustriais. Carne suína, carnes de aves e produtos alimentícios processados ocupam o centro da pauta exportadora.
Para Caleb, isso explica por que, no mesmo período, a indústria respondeu por 36,7% do saldo de empregos do município: “Em Chapecó, o comércio exterior é um dos motores econômicos, políticos e sociais. O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia trata-se de um dos maiores acordos comerciais do planeta, conectando 720 milhões de pessoas sob um mesmo arcabouço regulatório e tarifário. Mas seu significado real não está no tamanho, e sim no momento histórico em que finalmente saiu do papel”.
Negociado desde 1999, o acordo sobreviveu a mudanças de governo, crises econômicas, impasses diplomáticos e resistências setoriais. Para Bentes, o que destravou o acordo não foi consenso moral nem alinhamento ideológico, mas o desafio às relações multilaterais internacionais: “A política comercial agressiva de Donald Trump, com tarifas, coerções, ameaças e desprezo explícito pelas regras internacionais, forçou atores médios e grandes a buscarem garantias fora da órbita americana”.
Sob a lógica da realpolitik (“política realista”, em alemão), a União Europeia entendeu, na visão de Caleb, que depender excessivamente dos Estados Unidos se tornará um risco estratégico: “O Mercosul, por sua vez, soube capitalizar em cima do momento histórico em que vivemos, encabeçado principalmente pela diplomacia brasileira após as tarifas americanas”.
As implicações disso para Chapecó, na opinião de Bentes, são diretas e mensuráveis: “A indústria chapecoense produz exatamente aquilo que a União Europeia mais importa do Brasil: a proteína animal que supera a marca de US$ 1 bilhão nas exportações brasileiras ao bloco europeu, sem contar derivados, processados e produtos de maior valor agregado”.
Recadinhos
- De acordo com Donald Trump, sim, os Estados Unidos vão ajudar os iranianos que estão se rebelando contra a ditadura islâmica no país, conforme a newsletter The News.
- Em uma mensagem na plataforma Truth Social, o presidente americano disse aos iranianos para continuarem protestando e “tomarem as instituições”, prometendo que “a ajuda está a caminho”.
- A declaração ocorreu horas depois de Trump anunciar uma tarifa de 25% para os países que realizarem negociações com o Irã, medida que pode afetar o Brasil, e principalmente, a China.
- Mas o pedido do presidente dos Estados Unidos está cada vez mais difícil de ser cumprido. A reação das forças militares do regime iraniano tem aumentado a cada dia, elevando as mortes para mais de 2 mil pessoas.






