
Enquanto a manhã de sábado (03) trazia a rotina habitual para Chapecó, com a umidade típica do Oeste Catarinense, a comunidade venezuelana local acordou em estado de alerta máximo. A notícia da suposta invasão e prisão do presidente Nicolás Maduro por forças americanas, ocorrida na madrugada, gerou uma onda de choque, medo e uma esperança contida entre aqueles que deixaram seu país em busca de estabilidade.
“O barulho dos helicópteros era ensurdecedor. Nunca imaginei viver algo assim,” conta ‘J.R.’, um venezuelano que reside no Bairro Efapi e trabalha na indústria local, e que conversou com familiares na capital Caracas durante a operação. Segundo os relatos colhidos pela nossa equipe, a experiência foi “desesperante”, com mísseis e detonações atingindo pontos estratégicos, paralisando a comunicação e o sistema aéreo. A atuação coordenada dos EUA, que desabilitou bases aéreas e antenas, sugere um planejamento minucioso, mas para quem viveu o som da guerra, a sensação foi de caos total.
A prisão de Maduro, se confirmada, representa um divisor de águas para muitos. Para a diáspora, é o vislumbre de um futuro sem o regime que forçou milhões a fugir. No entanto, a tensão permanece alta. “A gente fica feliz com a notícia da prisão, mas e agora? O que virá depois?”, questiona J.R. A incerteza sobre quem assumirá o poder — seja o General Padrino López, Diosdado Cabello, ou outros nomes ligados ao antigo regime — mantém a comunidade em vigília.
Enquanto a capital venezuelana permanece sob toque de recolher e muita gente trancada em casa, a vida em Chapecó segue. Os venezuelanos daqui, que já enfrentaram a jornada de reconstrução no Brasil, agora acompanham cada atualização internacional com o coração dividido entre o alívio de uma possível mudança política e o medo de uma escalada de violência que possa afetar os parentes que ficaram.






