
O preço da gasolina subiu novamente, e a sociedade recebe a notícia como quem escuta um velho disco arranhado. A justificativa oficial é técnica, cheia de termos administrativos e decisões colegiadas. Mas, na prática, a frase que chega ao motorista, ao trabalhador, ao empresário e à família é simples: vai custar mais caro viver no Brasil.
O aumento do imposto sobre combustíveis mostra um paradoxo cruel. Enquanto se fala em estímulo à economia, redução do custo Brasil e incentivo à mobilidade, vem uma decisão que faz exatamente o oposto. A gasolina mais cara não afeta apenas quem dirige. Ela aumenta o custo do transporte público, encarece alimentos, impacta serviços e pressiona a inflação. É uma decisão que se espalha silenciosamente, atingindo especialmente quem tem menos margem para absorver aumento de custos.
Outro ponto é a incoerência do discurso. Quando o petróleo baixa no mercado internacional, o cidadão espera um alívio. Mas, antes que isso chegue na bomba, entra o peso dos impostos, das decisões políticas e das conveniências fiscais. Ou seja, quando o mundo ajuda, o governo atrapalha. E a conta final fica para quem não tem poder de decisão sobre nada disso.
O argumento de arrecadação também merece questionamento. Estados e governo sabem que combustível é consumo essencial e de alta elasticidade de arrecadação. Traduzindo: é fácil tirar dinheiro daí, porque ninguém pode simplesmente deixar de trabalhar, produzir, transportar e viver. Em vez de cortar gastos, melhorar eficiência e enfrentar privilégios, prefere-se o caminho mais simples: cobrar mais de quem já paga demais.
Há ainda o impacto social e regional. Em cidades médias e pequenas, onde o carro é necessidade e não luxo, o aumento pesa diretamente na vida real. Aumenta o custo para quem trabalha longe, para quem mora na periferia, para quem enfrenta estrada todo dia. E isso acontece em um país que ainda não oferece transporte público digno e alternativas reais de mobilidade.
Criticar o aumento da gasolina não é defender irresponsabilidade fiscal. É cobrar responsabilidade social. Política pública precisa olhar para o cidadão e não apenas para a planilha. Se o petróleo caiu, se a economia precisa de estímulo, se as famílias lutam para fechar o mês, aumentar imposto sobre combustível é uma escolha que revela prioridades. E, mais uma vez, a prioridade não foi o brasileiro comum.
O país precisa decidir de que lado está: do lado de quem trabalha e produz, ou do lado do arrecadacionismo automático. Porque, enquanto a bomba cresce no posto, a bomba maior explode no orçamento das famílias.






