
O cientista político Caleb Bentes, de Videira, enviou à esta coluna uma nova análise do cenário econômico e empregatício de Chapecó, com base nos dados do Novo CAGED do mês de agosto. Novamente colaborando com este espaço de opinião, o diretor da D’América Consultoria Geopolítica para Negócios afirma que agosto marca, em Chapecó, um ponto de observação interessante sobre a relação entre conjuntura macroeconômica e dinâmica local. Por isso, vamos expor a análise nas edições de hoje (8) e amanhã (9) da coluna.
Pela primeira vez no ano, chapecó registrou um saldo levemente negativo na movimentação de empregos formais, com -15 vagas, resultado praticamente nulo do ponto de vista estrutural, mas revelador do comportamento da economia regional em meio ao cenário nacional e internacional de incertezas: “Quando olhamos o acumulado do ano (saldo de 4.255 novos empregos formais), percebe-se que Chapecó mantém trajetória sólida de expansão, mesmo em um ambiente que combina juros elevados, inflação resistente e volatilidade geopolítica”, afirma Caleb.
Para Bentes, o dado mais simbólico está no comércio, que registrou o pior saldo entre os setores, com o fechamento de 194 vagas em agosto: “O resultado reflete diretamente o encarecimento do crédito e a retração do consumo financiado, efeitos diretos da taxa Selic mantida em 15%, que vem impondo custo elevado tanto ao capital de giro das empresas quanto à demanda das famílias”.
Na opinião de Caleb, o pequeno déficit, no entanto, não altera a tendência positiva do município: “Chapecó tem uma estrutura produtiva robusta e diversificada, com base industrial consolidada, setor de serviços em expansão e forte presença agroindustrial, o que lhe confere capacidade de absorver choques temporários e reverter rapidamente oscilações conjunturais”.
Bentes destaca que o saldo negativo de agosto não tem relação direta com o novo cenário de tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos: “Chapecó não figura entre os municípios altamente expostos a esse tipo de medida. Ao contrário, o desempenho das exportações em agosto reforça a autonomia relativa da economia local frente ao mercado norte-americano”.
As exportações de Chapecó em agosto deste ano totalizaram US$ 18,45 milhões, um aumento expressivo de 63% em relação a agosto de 2024: “Esse crescimento mostra que a cidade ampliou sua inserção internacional. Tal desempenho evidencia a integração de Chapecó a cadeias logísticas voltadas sobretudo ao Mercosul e à Ásia, regiões com as quais o município tem intensificado suas relações, seja pela exportação de produtos alimentícios e industrializados, seja pela importação de insumos produtivos”, afirma Caleb.
Para o cientista político, o comportamento das exportações chapecoenses em agosto é um retrato econômico da reconfiguração global que vem se consolidando desde o fim da pandemia e que se intensificou com a postura americana em 2025: “O mundo caminha para uma economia multipolar, na qual blocos regionais ganham protagonismo em detrimento da antiga lógica de dependência das grandes potências. A imposição de tarifas pelos Estados Unidos é, na verdade, um sintoma dessa nova era”, aponta Bentes.
Recadinhos
- Vergonha no crédito e no débito passou o vereador Adão Teodoro (PSD) na sessão de ontem (7) da Câmara de Vereadores de Chapecó.
- Ao criticar um requerimento do vereador Cleiton César (PP) para que a ACIC venha ao Legislativo prestar contas da sua recente missão na Romênia, Adão chamou a associação empresarial de “empresa privada”.
- Para o edil, não haveria interesse público em ouvir empresários que foram “com o próprio dinheiro”, sem trazer benefícios públicos imediatos.
- O requerimento foi aprovado por 14 votos a 2, tendo o apoio da oposição ao governo João Rodrigues (PSD), e apenas Adão e Neuri Mantelli (PSD) como votos contrários. Que baita tiro no pé!





