
O fenômeno El Niño está ganhando força rapidamente no Oceano Pacífico e pode atingir intensidade histórica nos próximos meses. A avaliação é da MetSul Meteorologia, que aponta um aquecimento acelerado das águas superficiais na faixa equatorial do Pacífico, especialmente próximo às costas do Peru e do Equador.
Dados divulgados nesta semana pela Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA) mostram que as temperaturas do mar já atingem níveis compatíveis com a presença do fenômeno. Pelo novo sistema de monitoramento adotado pela agência norte-americana, chamado Índice Oceânico Niño Relativo (RONI), a região Niño 3.4 registrou anomalia de +0,7°C, valor enquadrado na categoria de El Niño fraco.
Já pelo método tradicional ONI (Índice Oceânico Niño), ainda amplamente utilizado para análises climáticas, a mesma região apresentou anomalia de +1,3°C, caracterizando um El Niño moderado. Na região Niño 1+2, próxima ao Peru e Equador, as anomalias chegaram a +2,1°C, evidenciando um aquecimento significativo das águas.
Apesar de ainda não ter oficializado o início do fenômeno, a NOAA informou em seu boletim mais recente que o El Niño deve se instalar “brevemente”. Para a MetSul, os indicadores oceânicos e atmosféricos já permitem considerar que o episódio 2026-2027 está em andamento, tornando iminente o anúncio oficial da agência norte-americana.
As projeções climáticas indicam que o pico do fenômeno deverá ocorrer durante o segundo semestre deste ano, período em que seus impactos tendem a ser mais sentidos no Brasil. Segundo os modelos analisados, existe alta probabilidade de que o evento alcance intensidade muito forte, podendo configurar um Super El Niño.
Caso as projeções se confirmem, o episódio poderá rivalizar ou até superar os históricos eventos de 1982-1983 e 1997-1998, considerados alguns dos mais intensos já registrados. Especialistas ressaltam, porém, que as previsões para o Pacífico entre março e junho possuem menor confiabilidade devido à chamada “barreira de previsibilidade do outono”, embora os modelos mantenham consistência ao indicar um fenômeno de grande intensidade.
No Brasil, episódios de El Niño costumam influenciar diretamente os padrões de chuva e temperatura. Na Região Sul, o fenômeno geralmente está associado ao aumento das precipitações e à maior frequência de eventos climáticos extremos, especialmente durante a primavera e o verão.






