
O El Niño deve continuar influenciando as condições do tempo em Santa Catarina nos próximos meses, com previsão de chuvas frequentes e acumulados acima da média entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. A tendência foi analisada por meteorologistas da Defesa Civil de Santa Catarina e da Epagri/Ciram durante o 247º Fórum Climático Catarinense, realizado nesta semana.
A previsão aponta maior possibilidade de chuva acima do esperado na Região Oeste. Com a aproximação do verão, também devem se tornar mais frequentes os temporais no fim da tarde, com risco de alagamentos e enxurradas.
Segundo a análise apresentada no fórum, há 96% de chance de o El Niño permanecer na categoria muito forte até fevereiro de 2027. O fenômeno deve começar a perder intensidade no trimestre de fevereiro a abril do próximo ano, mas a tendência é de que continue ativo até o início do outono.
Qual foi o impacto do El Niño em Santa Catarina nos últimos meses?
No último mês, o fenômeno atingiu a categoria muito forte, caracterizada por anomalias de temperatura da superfície do mar superiores a 2°C na região equatorial do Oceano Pacífico. De acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (Noaa), a média semanal chegou a 2,5°C na última semana, o maior valor registrado desde o início do episódio atual.
Em Santa Catarina, os impactos das chuvas ficaram concentrados principalmente no Grande Oeste, Planalto Norte e Litoral Norte. Foram registradas ocorrências de alagamentos, enxurradas, deslizamentos e inundações.
Entre os municípios com maiores acumulados estão Anchieta, com 430 milímetros, e Maravilha, com 379 milímetros. No Litoral Norte, Garuva registrou 395 milímetros, enquanto Joinville teve 365 milímetros.
O aumento dos períodos de nebulosidade também influenciou as temperaturas. Em outubro, os dias nublados contribuíram para tardes mais amenas e maior sensação de frio em comparação com o que costuma ser observado nesta época do ano.
Como deve ficar a chuva em Santa Catarina até janeiro de 2027?
A tendência é de que as chuvas continuem frequentes entre novembro e janeiro, com possibilidade de volumes acima da média, principalmente no Oeste catarinense.
Até o fim da primavera, entre novembro e dezembro, sistemas meteorológicos como ciclones e frentes frias ainda devem atuar no Sul do Brasil. Massas de ar frio também podem provocar episódios de temperaturas mais baixas.
Com a chegada do verão, os temporais tendem a ficar mais frequentes no fim da tarde. As ocorrências devem estar associadas principalmente à chuva intensa em curto período, condição que pode provocar alagamentos e enxurradas.
Como devem ficar as temperaturas nos próximos meses?
Em novembro, as temperaturas devem permanecer próximas da média climatológica. A presença de mais nuvens pode deixar as tardes amenas, mantendo o padrão observado nos últimos meses.
Já entre dezembro e janeiro, a tendência é de elevação das temperaturas, com possibilidade de episódios de calor intenso, característicos do verão. Mesmo assim, as manhãs podem continuar mais frias em alguns períodos, com registros isolados de frio no fim da primavera.

Quais são os riscos previstos para o período?
A combinação de chuva frequente e temporais de verão exige atenção para a possibilidade de alagamentos, enxurradas e outros impactos associados a eventos extremos. Também há previsão de tempestades severas, que podem provocar granizo de grande tamanho e rajadas intensas de vento.
A Defesa Civil e a Epagri/Ciram destacam a importância de acompanhar as condições meteorológicas e os acumulados de chuva ao longo do trimestre, especialmente durante a passagem de sistemas capazes de provocar temporais.






