
Uma pesquisa na internet feita por uma familiar foi decisiva para desmascarar a mulher de 37 anos que se passou por uma adolescente de 12 anos e viveu durante 14 meses como filha adotiva de um casal em Joinville, no Norte de Santa Catarina.
Segundo o delegado Rodrigo Bueno Gusso, responsável pelo caso, a descoberta começou após uma tia da família acolhedora desconfiar das histórias contadas pela mulher, que se apresentava como Gabriele. Incomodada com algumas inconsistências nos relatos, ela decidiu procurar informações sobre casos semelhantes e encontrou reportagens publicadas em 2023 envolvendo uma mulher identificada como Amanda Maria Souza de Oliveira.
Além da semelhança na forma de agir, a aparência física da suspeita chamou a atenção da familiar. As informações foram compartilhadas com o pai adotivo, que inicialmente não acreditou na possibilidade de estar sendo enganado. No entanto, ao assistir às reportagens, ele também passou a identificar características semelhantes entre a mulher acolhida pela família e a pessoa retratada nas notícias.
Diante das suspeitas, a família procurou a Polícia Civil de Joinville no fim de maio. A partir das investigações, os agentes confirmaram que a suposta adolescente era, na verdade, Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos.
A mulher foi presa na última terça-feira (2) e indiciada por falsa identidade e estelionato. Conforme a Polícia Civil, ela já possui histórico de golpes semelhantes em diferentes estados brasileiros.
Em depoimento, Amanda confessou ter utilizado a mesma estratégia em pelo menos cinco estados: Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e Ceará. Um caso semelhante também foi identificado em Natal, no Rio Grande do Norte. Em Santa Catarina, a polícia ainda investiga possíveis ocorrências relacionadas à suspeita em Florianópolis e Chapecó.
De acordo com a investigação, Amanda procurou uma igreja em Joinville alegando ter fugido do Pará após sofrer maus-tratos. Sensibilizados com a história, membros da comunidade religiosa e um casal decidiram acolhê-la.
Durante mais de um ano, ela foi tratada como uma adolescente. Recebeu quarto decorado, brinquedos, presentes e até uma festa de aniversário de 12 anos. Segundo o delegado, a suspeita conseguiu criar um forte vínculo emocional com a família.
“Ela conseguiu sequestrar emocionalmente a família. Era uma família com boa situação financeira e ela recebia tudo do melhor”, afirmou Gusso.
O caso ganhou repercussão nacional após relatos de outras vítimas. No Rio de Janeiro, em 2023, Amanda utilizava o nome “Duda” e chegou a ser acolhida por mulheres que atuavam em projetos sociais voltados a crianças vítimas de violência. Uma das vítimas relatou que a suspeita imitava voz infantil e chegou a provocar situações para reforçar a personagem que havia criado.
A defesa informou que Amanda deverá passar por exames de sanidade mental. A data da avaliação ainda não foi divulgada pela Justiça.








