
O vice-prefeito de Lages (SC), Jair Júnior (ex-Podemos, atualmente sem partido), foi denunciado pelo Ministério Público por agredir, sufocar, manter a ex-namorada em cárcere privado, além de ameaçá-la e invadir seu celular. O caso ocorreu em 22 de março do ano passado e deu origem a uma ação penal que tramita em segredo de Justiça.
De acordo com a acusação, a vítima relatou que só conseguiu deixar a residência do então companheiro após se humilhar e afirmar que ainda o amava. Após sofrer as agressões, ela foi até uma delegacia para registrar boletim de ocorrência, acompanhada da irmã.
Ainda conforme o Ministério Público, Jair Júnior teria perseguido a ex-namorada logo após o episódio de violência. Em determinado momento, ele chegou a atravessar o carro à frente da motocicleta em que estavam a vítima e a irmã, numa tentativa de impedi-las de seguir caminho até a delegacia.
Enquanto as duas registravam a ocorrência, o vice-prefeito teria permanecido circulando pelas imediações da unidade policial. Jair Júnior foi preso em flagrante, mas acabou sendo liberado no dia seguinte mediante pagamento de fiança.
O documento da investigação, ao qual o UOL teve acesso, aponta um comportamento violento reiterado por parte do vice-prefeito e descreve os hematomas apresentados pela vítima. O material foi divulgado anteriormente pelo site Upiara.net.
Em razão do episódio, chegou a ser aberto um processo de impeachment contra Jair Júnior. No entanto, a Justiça de Santa Catarina determinou o cancelamento do procedimento, sob o argumento de que a Câmara de Vereadores utilizou uma legislação que só se aplica a prefeitos, e não a vice-prefeitos.
Atualmente, Jair Júnior responde a uma ação penal em sigilo, na qual é réu por quatro crimes: cárcere privado, lesão corporal, invasão de dispositivo informático e ameaça.
Procurada, a defesa do vice-prefeito informou que não irá se manifestar sobre o caso, alegando que o processo corre em segredo de Justiça e que a produção de provas ainda está em andamento. O advogado Guilherme Ramos não adiantou se a estratégia da defesa será a alegação de inocência.












