
O jornalismo da Condá FM obteve com exclusividade detalhes sobre um caso de morte por bronquiolite que envolveu o bebê Benjamin Lucca Cardoso Dias, falecido em 20 de julho, com apenas 31 dias de vida, durante uma transferência por uma ambulância do SAMU do bebê, saindo do Hospital da Criança (HC) de Chapecó, e se dirigindo a UTI Neonatal do Hospital São Francisco, de Concórdia, pela falta de leitos de UTI pediátrica no Hospital Regional do Oeste (HRO).
Conforme os pais de Benjamin, que procuraram a reportagem, Benjamin começou com tosse e espirro, e foi diagnosticado inicialmente com resfriado no HC. Após receber um procedimento de lavagem, no dia seguinte, 19 de julho, voltaram os sintomas e, após ida à UPA 24h do bairro Presidente Médici, Benjamin voltou ao HC e foi diagnosticado com bronquiolite.
Segundo os pais, conforme as horas passaram, os sintomas se agravaram, e em menos de 24 horas ele necessitou de intubação, e recebeu medicamentos para ser acalmado, em função de ficar bastante agitado.
Questionamentos ao SAMU
Na tentativa de transferência para a UTI pediátrica do Hospital São Francisco, em Concórdia, em função da superlotação da UTI pediátrica do HRO, a ambulância avançada do SAMU, conforme os pais, não tinha a regulagem correta do tubo para manutenção da intubação ideal de Benjamin.
Uma segunda ambulância chegou para prestar auxílio no meio da SC-155, já no território de Xavantina, mas Benjamin morreu dentro da primeira ambulância, mesmo com o fornecimento, conforme as equipes médicas repassaram aos pais, de três litros de oxigênio, e manobras de ressucitação cardiopulmonar.
Os pais cobram do SAMU o registro do atendimento de Benjamin, da saída do HC até a morte do bebê. Os pais também afirmam que a equipe do HC pediu a incubadora para auxiliar na transferência de Benjamin, mas ele entrou na ambulância com uma maca de adulto.
A diretora do Hospital da Criança de Chapecó, Jaqueline Mazoni, e a responsável técnica da UTI pediátrica do HRO, Marine Maffessoni, se reuniram com os pais após o ocorrido para ouvi-los e prestar esclarecimentos. Conforme os pais, o atendimento no HC foi excelente, e dentro daquilo que podia ser feito pelo hospital. Os pais de Benjamin são ex-funcionários da unidade hospitalar.
O que diz o SAMU
O SAMU, em nota, manifestou seu pesar pelo ocorrido e informa que prestou acolhimento e apoio à família pela perda. O Serviço afirma que instaurou um processo interno para apurar o caso. Essa apuração está em andamento e o processo ainda não foi concluído.
Ao mesmo tempo, a família entrou na Justiça contra a Fundação de Apoio ao HEMOSC/CEPON (Fahece), que também administra o SAMU em Santa Catarina, para pedir o acesso completo ao prontuário de atendimento do Serviço, possíveis gravações de áudio e vídeo internos da ambulância, e andamento do processo interno. O caso corre em segredo de justiça.












