Delegacia da mulher registra menos casos de violência doméstica em Chapecó

A maioria dos registros são de casos de ameça e lesão corporal

Imagem: ClicRDC

De primeiro de janeiro até está quinta-feira (14), foram registradas 1201 ocorrências de violências contra a mulher, em Chapecó (SC). No mesmo período do ano passado o município contabilizava 1324 registros. Os números são dos registros feitos na Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DPcami). As informações foram repassadas pelo delegado Airton Stang.

Os casos abrangem todos os crimes relativos à violência doméstica, como ameaça, lesão corporal, injúria, vias de fato, crimes patrimoniais praticados no âmbito doméstico contra a mulher e inclui também estupros.

Ameaça e lesão corporal

Conforme o delegado, ameaça e lesão corporal são os principais tipos de violências praticados contra as mulheres em Chapecó. Em 2019 foram registrados 655 casos de ameaça e neste ano foram 576. Já referente a casos de lesão corporal foram 322 registros em 2019 e 279 neste ano.

Stang destacou que as estatísticas mostram que a maioria dos agressores pertencem ao ciclo familiar das vítimas.

Vítimas

 O delegado explicou que a idade das vítimas vária de acordo com cada modalidade de crime, mas – em um panorama geral sobre violência doméstica – a maioria das mulheres atendidas na delegacia está na faixa etária dos 20 a 35 anos.

“Essa faixa abrange quase a metade dos casos. Até porque muitas vezes são casais novos, que empurrados por uma impetuosidade nos conflitos conjugais acabam em violência. Já casais mais maduros conseguem resolver de forma melhor os conflitos, através do diálogo, que não redundam em violência”, destacou.  

Medidas protetivas encaminhados pela DPcami

De janeiro até está quinta-feira a DPcami realizou 250 pedidos de medidas protetivas em Chapecó. No mesmo período do ano passado haviam sido registrados 264 pedidos.

“Uma pequena queda, comparado com o ano passado. No entanto, mantém, apesar da pandemia, um número bastante considerável”, avalia.

Durante todo o ano de 2019, foram mais de 700 medidas, informou o delegado.

Redução nos números

No comparativo dos dados dos primeiros meses deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado, houve uma pequena redução nos casos de violência doméstica no município. O delegado considera que dois fatores podem ter contribuído para essa redução: o trabalho de conscientização que busca evitar que esse tipo de crime seja praticado e a pandemia do coronavírus.

“Durante a pandemia, a vítima tem o acesso um pouco dificultado. Um exemplo é o transporte coletivo, pois temos muitas mulheres em periferias, em bairros mais distantes do centro de Chapecó, que acabam tendo uma dificuldade maior de locomoção para comparecer a delegacia e realizar o registro”, comentou.

O delegado destacou, no entanto, que foi realizada uma ampla divulgação da delegacia virtual, para que as vítimas consigam registrar o boletim de forma online, sem sair de casa.  

“Claro, a dificuldade de acesso, acesso às vezes da própria internet, faz com que haja essa queda nesse número. E um fator que nós verificamos para a justificativa desta queda”, destacou.

Para Stang a população está se conscientizando, inclusive os homens, que estão sendo menos violentos.

O que eu percebo é uma maior conscientização das mulheres também. Fatos que tempo atrás as mulheres não procuravam a delegacia para denunciar, por exemplo, uma ameaça, uma injúria, uma perturbação da tranquilidade, agora elas vêm denunciar. Por isso eu digo que é um grau um pouco maior de conscientização das mulheres”, destacou.

Trabalho

O trabalho de divulgação, conscientização e reflexão sobre o assunto é fundamental na busca para reduzir os números de violência contra a mulher. O delegado destacou que o machismo ainda é algo que está impregnando na sociedade e bastante perceptível ainda em Chapecó. No entanto, além do trabalho de orientação, que visa realizar uma mudança de comportamento, a Polícia Civil – através da delegacia especializada, busca também combater os crimes com adoção de medidas preventivas ou punitivas.  

 “Nosso trabalho na DPcami é agir com bastante celeridade, rigor nos casos que são apresentados,  para evitar que as vítimas que passam por nosso atendimento venham a ser alvo de atentado. Fizemos encaminhamento imediatos de medidas, com pedidos de prisão preventiva de autores sempre que haja descumprimento de medidas protetivas. De modo geral, o sistema tem funcionado bem em Chapecó. Não somente a Polícia Civil, mas a própria a Polícia Militar – através da Rede Catarina. O Poder Judiciário e o Ministério Público tem agido com bastante agilidade nos pedidos, isso tem ajudado a reduzir, especialmente, os crimes violentos conta as mulheres”, explicou.  

Feminicídios

O delegado destacou que o número de casos de feminicídios registrados em Chapecó apresentou uma significativa redução nos últimos anos. Em 2017 o município teve sete mortes. Já em 2018 e 2019 foram registrados dois casos em cada ano. Em 2020, até o momento, foi registrada uma morte.

“Nenhum desses casos tinha passado pelo atendimento da DPcami, não havia registro anterior. Não foram vítimas que procuraram socorro, denunciando violência anteriores. São vítimas que sofreram uma fatalidade, sem ter a oportunidade de ter buscado a proteção do estado. Ano passado foram mais de700 pedidos de medidas protetivas encaminhadas pela DPcami, nenhuma dessas mulheres perdeu a vida. Elas buscaram a proteção e tiveram a proteção assegurada”, destacou.

Buscar ajuda

As mulheres que sofrem de violência ou pessoas que tenham conhecimento de casos de violências doméstica podem fazer denúncias pelo telefone 181 ou ainda pelo 180 que é a central de atendimento à mulher.

Também é possível registrar o Boletim de Ocorrência pela delegacia virtual. Ainda é realizado atendimento presencial na DPcami, para casos mais graves, das 12h às 19h.


Imagens: Divulgação