
O que deveria ser um recomeço transformou-se em um novo pesadelo. Cinco irmãos, retirados da família após anos de negligência, violência e maus-tratos, foram vítimas de abuso sexual dentro de uma casa de acolhimento na Grande Florianópolis. O caso, revelado por documentos oficiais obtidos com exclusividade, expõe falhas graves na rede de proteção infantil em Santa Catarina.
Segundo relatórios técnicos, os menores, com idades entre 5 e 13 anos, foram submetidos a práticas de estupro coletivo e outros atos de conotação sexual, cometidos por outras crianças e adolescentes acolhidos na instituição. Os abusos ocorreram principalmente durante horários de menor vigilância, entre os dias 24 e 31 de julho de 2025.
As investigações apontam que os envolvidos criaram pactos de silêncio e até sinais secretos para indicar quando as práticas aconteceriam, aproveitando momentos estratégicos para escapar do campo de visão das câmeras. Um dos relatos mais alarmantes menciona um menino de apenas cinco anos entre as vítimas.
Antes mesmo da institucionalização, os irmãos viviam em condições precárias: falta de higiene, fome, abandono e violência constante. O histórico da família, acompanhado desde 2016, já indicava risco extremo, e por isso o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) havia solicitado o afastamento das crianças do convívio familiar.
Agora, após os novos abusos, o MPSC determinou a transferência imediata dos menores para outra instituição e requisitou acompanhamento psicológico especializado pelo CAPSij. Um boletim de ocorrência foi registrado e a Vara da Infância e Juventude da Comarca de Itajaí conduz o processo.
Especialistas alertam que os impactos emocionais e psicológicos nas vítimas podem ser irreversíveis e reforçam a necessidade de reavaliar os protocolos de acolhimento. O caso reacende um debate urgente: como garantir proteção real a crianças e adolescentes retirados de lares violentos?
Fonte: Jornal Razão