InícioSEGURANÇA PÚBLICAChuvas deixam ao menos oito mortos e um desaparecido em São Paulo

Chuvas deixam ao menos oito mortos e um desaparecido em São Paulo

Fortes temporais provocaram desabamentos, enxurradas, alagamentos e deslizamentos na capital e em cidades da região metropolitana e do interior

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasi

As fortes chuvas que atingiram o estado de São Paulo entre quinta-feira (10) e sábado (12) deixaram ao menos oito pessoas mortas e uma desaparecida. A sequência de temporais também provocou alagamentos, quedas de árvores, deslizamentos e outros transtornos em diferentes regiões.

Na capital paulista, seis pessoas morreram após um prédio em construção desabar sobre casas vizinhas na madrugada de sábado (12), na Rua Tequici, no bairro da Penha.

O que aconteceu no desabamento na Penha?

Os bombeiros localizaram todas as vítimas do desabamento. Uma criança e um homem sobreviveram. Entre os mortos estão três mulheres, sendo uma gestante, dois homens e uma criança.

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Segundo o Governo do Estado de São Paulo, uma família da Bolívia morava na residência atingida. Cinco das vítimas eram bolivianas e uma era paraguaia. Os corpos serão levados para sepultamento no país vizinho.

Após o acidente, imóveis próximos foram vistoriados. Três casas permanecem interditadas pela Defesa Civil do município.

Por que a construção que desabou estava sendo investigada?

O prédio residencial tinha 12 andares e estava embargado desde 2021. Naquele ano, a Prefeitura de São Paulo entrou com uma ação judicial para pedir a demolição de uma construção irregular no local.

Antes disso, a Subprefeitura Penha havia realizado fiscalizações, determinado a interdição e aplicado multas. Uma delas chegou a R$ 119 mil.

Em 2022, a empresa apresentou um novo projeto, que foi autorizado, prevendo a demolição da estrutura antiga.

O que a investigação descobriu até agora?

Em fevereiro de 2024, uma fiscalização foi realizada no endereço. Um laudo assinado por uma servidora da Subprefeitura apontava que a demolição havia sido concluída.

A situação passou a ser investigada pela Controladoria Geral do Município. A servidora foi afastada das funções por 30 dias, segundo a Prefeitura de São Paulo.

As apurações preliminares indicam que a demolição exigida pelo município para a construção do novo prédio não teria sido realizada.

A Polícia Civil também investiga o caso. Um dos sócios da construtora New Home foi preso na manhã deste domingo (13). Outros dois representantes da empresa são procurados e possuem mandados de prisão em aberto.

O que aconteceu em Jandira?

Em Jandira, na região metropolitana de São Paulo, três pessoas foram arrastadas por uma enxurrada. Uma mulher foi encontrada morta na noite de sexta-feira (11).

Um homem foi localizado neste domingo (13), enquanto outro permanece desaparecido. As equipes de resgate concentram as buscas em um piscinão localizado em Carapicuíba, município que faz divisa com Jandira.

Quais outras cidades da Grande São Paulo foram atingidas?

Vargem Grande Paulista registrou queda de muro, queda de barreira, deslizamentos e deslocamento de rochas. Uma residência teve a parede de um cômodo atingida, mas não houve comprometimento estrutural. O morador não ficou ferido.

Também foram registrados alagamentos e quedas de árvores em cidades como Cotia, Osasco, Mogi das Cruzes e Itapecerica da Serra.

Como está a situação no interior de São Paulo?

No Vale do Ribeira, a situação também preocupa. Em Eldorado, o nível do Rio Ribeira de Iguape subiu aproximadamente nove metros e provocou inundações na área urbana.

Ao todo, 54 famílias, somando 173 pessoas, foram retiradas de suas residências.

Em Sete Barras, o transbordamento do Rio Ribeira de Iguape atingiu vias e propriedades rurais, afetando cerca de 50 moradias.

Já em Itu, houve queda de muro de arrimo sobre duas residências, deslizamentos de terra e rochas, queda de muro de divisa e três quedas de árvores.

Como estão os rios monitorados no estado?

Segundo a Defesa Civil de São Paulo, alguns rios continuam em níveis que exigem atenção. Na região de Registro, os cursos d’água permanecem elevados e apresentam tendência de aumento em determinados pontos.

Nos rios Tietê e Pinheiros, a SP Águas informou que, na manhã deste domingo (13), a tendência predominante entre os 20 pontos monitorados era de estabilidade.

Apesar disso, quatro pontos apresentavam extravasamento: Núcleo Itaim Biacica, com 0,91 metro acima da cota; Núcleo Jardim Helena, com 0,71 metro; Rio Tietê em Itaquaquecetuba, com 0,41 metro; e Rio Tietê Estaleiro, em Mogi das Cruzes, com 0,02 metro.

Na região do Ribeira de Iguape, foram registrados 26,1 milímetros de chuva nas 24 horas anteriores. Das 29 estações de monitoramento, seis estavam em extravasamento, uma em situação de emergência, seis em alerta e cinco em atenção.

Quais alertas foram emitidos pela Defesa Civil?

Entre a 0h de sábado (12) e as 7h30 deste domingo (13), a Defesa Civil estadual emitiu 21 alertas por SMS e quatro por Cell Broadcast devido às condições meteorológicas.

Equipes do órgão foram deslocadas para auxiliar as cidades atingidas e acompanhar a situação das áreas de risco.

A chuva deve continuar em São Paulo?

A previsão indicava continuidade das chuvas volumosas no litoral paulista neste domingo (13) e na segunda-feira (14). O acumulado pode chegar a 150 milímetros nos dois dias.

Nas demais regiões do estado, a previsão é de tempo mais estável, com possibilidade de chuvas leves.

Qual é a orientação para quem precisa viajar?

A Defesa Civil recomenda que a população acompanhe os alertas meteorológicos e evite permanecer próxima às margens de rios durante períodos de chuva intensa.

Também é recomendado não atravessar áreas alagadas, seja a pé ou de veículo.

Quem precisar trafegar pelas rodovias do interior deve verificar previamente as condições das estradas, já que diversos trechos foram afetados pelas chuvas e tiveram liberações parciais ou totais ao longo deste domingo.

Fonte: Agência Brasil

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