
O Brasil registrou cerca de 1,6 milhão de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil em 2024, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) usados na reportagem. Apesar da magnitude do problema, menos de 1% desse total foi alcançado pela fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego.
Os números apontam que apenas 2.745 crianças e adolescentes foram afastados de situações de trabalho infantil por meio de ações fiscais no ano passado. Isso representa cerca de 0,2% do total estimado pelo IBGE, revelando uma lacuna entre a dimensão do problema e o alcance das intervenções oficiais.
Ainda assim, o país enfrenta um cenário em que as denúncias têm aumentado. O serviço Disque 100 recebeu mais de 4,2 mil denúncias envolvendo trabalho infantil em 2024, e esse número subiu para mais de 5,1 mil em 2025, um crescimento de cerca de 19,4%.
Os dados do Ministério Público do Trabalho (MPT) também confirmam essa tendência, com 7,9 mil denúncias em 2025, um aumento de 36,6% em relação ao ano anterior. São Paulo liderou o ranking de registros, seguido por Minas Gerais e Paraná.
Especialistas em políticas públicas ressaltam que a distância entre o número real de crianças e adolescentes em trabalho infantil e os casos efetivamente alcançados pela fiscalização evidencia limitações estruturais nos mecanismos de fiscalização e proteção social. Segundo a coordenadora do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI), a discrepância não indica necessariamente uma redução no problema, mas sim dificuldades no monitoramento e intervenção de campo.
A legislação brasileira proíbe o trabalho de menores de 16 anos em qualquer função — com exceção do programa de aprendizagem a partir dos 14 anos — e proíbe atividades perigosas ou insalubres até os 18 anos. Ainda assim, muitas crianças e adolescentes permanecem em condições de trabalho que comprometem o acesso à educação, ao lazer e ao desenvolvimento integral.
Fonte: g1












