
O caso começou como mais um atendimento de acidente de trânsito. Na manhã de 21 de julho, equipes encontraram um veículo submerso no Rio Barra Grande, entre São Carlos e Palmitos. O corpo de uma jovem de 24 anos estava às margens do rio.
O que parecia ser uma saída de pista com queda de ponte, porém, escondia uma cena cuidadosamente montada para apagar as marcas de um feminicídio.
Os primeiros indícios observados pelos investigadores levantaram dúvidas. As lesões não correspondiam à dinâmica do acidente. A partir dali, a investigação tomou outro rumo.
O que levou a Polícia Civil a desmontar a versão apresentada?
A reconstrução dos fatos mostrou que o veículo saiu de Xaxim na noite de 20 de julho e percorreu o trajeto até São Carlos acompanhado por outro automóvel, registrado em nome do marido da vítima.
As imagens e demais elementos reunidos durante a investigação demonstraram que a jovem sequer dirigia o carro encontrado no rio.
A confirmação veio com o laudo pericial: a causa da morte foi asfixia. A mulher já estava morta antes de o veículo ser lançado da ponte.
Como o feminicídio aconteceu?
Segundo a Polícia Civil, o crime ocorreu dentro da residência do casal, em Xaxim.
Durante uma discussão, o marido, de 30 anos, aplicou um golpe conhecido como “mata-leão” e asfixiou a esposa até a morte. Tudo aconteceu enquanto os dois filhos do casal, de apenas 8 e 2 anos, estavam na casa.
Depois do crime, ele levou as crianças até a residência dos pais. Em seguida, pediu ajuda ao pai, de 53 anos, para esconder o corpo.
Juntos, colocaram a vítima em um Fiat Doblò e seguiram até a ponte sobre o Rio Barra Grande, onde a falsa cena de acidente foi criada.
Como o autor tentou enganar a polícia?
Na manhã seguinte, enquanto o corpo já havia sido encontrado, o homem compareceu à delegacia para registrar o desaparecimento da esposa.
No boletim de ocorrência, afirmou que o casal enfrentava uma separação e disse que ela teria saído de casa falando em suicídio.
A versão, no entanto, começou a ruir à medida que a investigação avançava. Os laudos periciais, imagens do trajeto e demais provas desmontaram completamente a narrativa apresentada pelo suspeito.
O que a carta encontrada revelou?
Enquanto as equipes cumpriam os mandados de busca e prisão nesta sexta-feira (31), uma nova descoberta mudou o rumo da operação.
Os policiais encontraram uma carta escrita pelo autor do feminicídio. No texto, ele pedia perdão aos familiares, comentava o relacionamento com a vítima e afirmava que pretendia matar os próprios filhos antes de tirar a própria vida.
Pouco antes, uma denúncia anônima já havia alertado a Polícia Civil sobre esse plano. A informação acelerou os pedidos judiciais e levou ao cumprimento imediato das prisões.
Segundo os investigadores, a rápida atuação evitou que uma nova tragédia acontecesse.
Quem foi preso?
O marido da vítima confessou o feminicídio durante o interrogatório. O pai dele também admitiu ter ajudado a transportar o corpo até a ponte onde o acidente foi simulado.
Os dois foram presos preventivamente e encaminhados ao sistema prisional.
A investigação é conduzida pela Polícia Civil de Santa Catarina, por meio das Delegacias de Polícia Civil de Comarca de São Carlos e Cunhataí, com apoio de policiais de Chapecó e Xaxim.
O inquérito será concluído com o indiciamento do marido por feminicídio, ocultação de cadáver e fraude processual. O pai responderá por participação na ocultação de cadáver e na fraude processual.












