
A confirmação de um surto do vírus Nipah no estado de Bengala Ocidental, no leste da Índia, levou países asiáticos a reforçarem controles sanitários em aeroportos e fronteiras. Mesmo com poucos casos registrados, a alta taxa de letalidade da doença — que pode chegar a 75% — fez autoridades tratarem o risco como preventivo e estratégico para evitar a disseminação internacional.
O histórico do vírus Nipah e sua classificação como prioridade máxima pela Organização Mundial da Saúde (OMS) foram determinantes para a adoção de medidas emergenciais. Países do Sul e Sudeste Asiático passaram a intensificar triagens, protocolos de isolamento e intercâmbio de informações sanitárias, numa resposta que relembra, em menor escala, os primeiros meses da pandemia de Covid-19.
Aeroportos voltam a ser linha de defesa
Tailândia, Nepal, Taiwan, Singapura, Hong Kong, Malásia, Indonésia e Vietnã anunciaram o reforço de protocolos em aeroportos e pontos de entrada. O foco é identificar precocemente passageiros com febre alta, sintomas respiratórios ou sinais neurológicos — manifestações associadas às formas mais graves da doença.
Na Tailândia, viajantes provenientes de Bengala Ocidental passaram a ser submetidos à medição de temperatura, avaliação clínica e orientações formais. Casos suspeitos podem ser encaminhados diretamente para isolamento. As autoridades afirmam que não há registros da doença no país, mas destacam a necessidade de prevenção, especialmente em rotas diretas, como entre Kolkata e Phuket.
Fronteira aberta desafia vigilância no Nepal
No Nepal, o principal desafio está na extensa e movimentada fronteira terrestre com a Índia. O governo elevou o nível de alerta sanitário e instalou postos de triagem tanto no Aeroporto Internacional de Katmandu quanto em pontos estratégicos de travessia.
Hospitais e unidades de saúde nas regiões fronteiriças receberam orientações para identificar rapidamente casos suspeitos e comunicar as autoridades centrais. O governo reconhece as dificuldades de controle, mas considera a vigilância indispensável diante do risco.
Taiwan trata risco como estrutural
Taiwan anunciou planos para classificar o vírus Nipah como doença de notificação obrigatória no nível máximo, reservado a infecções emergentes graves. A proposta ainda passará por consulta pública, mas sinaliza que o país vê o risco como contínuo, e não episódico. Atualmente, alertas de viagem seguem ativos para regiões da Índia com histórico da doença.
Sudeste Asiático intensifica cooperação
Singapura retomou a triagem de temperatura em voos provenientes de áreas afetadas e ampliou o intercâmbio de dados com autoridades do Sul da Ásia. Hong Kong, Malásia, Indonésia e Vietnã também reforçaram controles em aeroportos internacionais, com foco em identificação precoce de sintomas.
Por que o vírus Nipah preocupa tanto
Identificado pela primeira vez no fim dos anos 1990, o vírus Nipah circula naturalmente entre morcegos frugívoros e pode infectar humanos por meio de alimentos contaminados, contato com animais ou, mais raramente, transmissão entre pessoas.
A taxa de letalidade varia entre 40% e 75%, dependendo do surto. Os sintomas vão de quadros respiratórios graves a encefalite, frequentemente fatal. Não há vacina nem tratamento específico disponível.
Apesar da gravidade, autoridades de saúde reforçam que o Nipah não possui alta transmissibilidade. A infecção costuma exigir contato próximo e prolongado, o que reduz o risco de disseminação rápida em comparação com vírus como o da Covid-19.







