
Com que frequência é preciso consultar um oftalmologista?
A frequência das consultas com o oftalmologista varia conforme a idade, o histórico de saúde e a presença de fatores de risco. As recomendações foram divulgadas pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) nesta quinta-feira (10), durante o 70º Congresso da especialidade, em Salvador.
Segundo o CBO, a consulta periódica é importante mesmo quando não existem sintomas. Isso porque algumas doenças oculares podem evoluir de forma silenciosa e provocar perda visual irreversível quando identificadas tardiamente.
Para pessoas sem doença ocular diagnosticada e sem fatores de risco, o conselho estabeleceu intervalos mínimos de referência. O acompanhamento pode ser antecipado ou realizado em períodos menores conforme a avaliação individual feita pelo médico.
Quando a criança deve começar a cuidar da visão?
O cuidado começa ainda na maternidade. O teste do reflexo vermelho, conhecido popularmente como teste do olhinho, deve ser realizado pelo pediatra nas primeiras 72 horas de vida ou antes da alta hospitalar. Se houver alguma alteração, o bebê precisa ser encaminhado com urgência ao oftalmologista.
Entre zero e 36 meses, o teste deve ser repetido nas consultas médicas, pelo menos três vezes ao ano nos primeiros três anos. Também devem ser observados o desenvolvimento visual, a fixação e o alinhamento dos olhos.
O CBO recomenda ainda uma primeira consulta oftalmológica completa entre seis e 12 meses. Entre três e cinco anos, deve ser realizada pelo menos uma avaliação completa, preferencialmente antes do início da alfabetização.
Na idade escolar e na adolescência, até os 18 anos, o acompanhamento deve continuar. O período é marcado por maior surgimento e progressão da miopia entre estudantes.
E depois dos 18 anos, quando a consulta deve ser feita?
Para adultos de até 39 anos, o CBO recomenda avaliações periódicas mesmo na ausência de sintomas. Algumas doenças podem aparecer nessa faixa etária sem apresentar sinais perceptíveis no início.
A partir dos 40 anos, a orientação passa a ser de consulta anual. Nessa fase, aumenta a ocorrência de problemas como glaucoma e presbiopia, conhecida como vista cansada.
Para os idosos, o acompanhamento também deve ocorrer pelo menos uma vez por ano, com atenção especial para catarata, glaucoma e degeneração macular relacionada à idade.
De acordo com estimativas internacionais citadas pelo CBO, a degeneração macular pode atingir 2,2% das pessoas entre 70 e 79 anos e chegar a 10,3% entre aqueles com 80 anos ou mais.
Quais condições exigem consultas mais frequentes?
Pessoas com doenças crônicas, histórico familiar de problemas oculares ou determinadas exposições podem precisar de acompanhamento em intervalos menores. A frequência deve ser definida pelo oftalmologista após avaliação individual.
Entre os principais fatores está o diabetes. Segundo o CBO, cerca de 50% dos pacientes desenvolvem algum grau de retinopatia diabética, proporção que pode chegar a aproximadamente 80% após 25 anos de doença. Por isso, a avaliação com as pupilas dilatadas é recomendada desde o diagnóstico, mesmo que não existam queixas relacionadas à visão.
O histórico familiar de glaucoma também exige atenção. Parentes de primeiro grau apresentam entre quatro e oito vezes mais chances de desenvolver a doença. Miopia, especialmente em graus elevados, prematuridade, uso prolongado de corticoides e lentes de contato também estão entre as situações que podem exigir acompanhamento específico.
No caso das crianças míopes, o conselho recomenda acompanhamento a cada 12 meses. Quando a miopia não está controlada, o intervalo pode ser reduzido para seis meses.
O documento também recomenda acompanhamento para usuários de lentes de contato, pessoas que utilizam medicamentos com potencial de toxicidade ocular e pacientes com hipertensão, doenças reumatológicas ou autoimunes. O tabagismo também é apontado como fator de risco para degeneração macular, dependendo da idade.
O uso de canetas emagrecedoras exige atenção aos olhos?
O CBO também incluiu os usuários de medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras entre os grupos que devem manter consultas oftalmológicas regulares.
A recomendação considera estudos que apontam uma possível associação desses medicamentos com neuropatias ópticas e alterações relacionadas à retinopatia diabética. Nesses casos, a necessidade e a frequência do acompanhamento devem ser avaliadas pelo médico.
Por que o acompanhamento desde a infância é tão importante?
A identificação precoce de problemas de visão pode evitar consequências que acompanham a pessoa por toda a vida. Entre as crianças brasileiras, os erros de refração não corrigidos, como miopia, hipermetropia e astigmatismo, estão entre as principais causas de deficiência visual e podem interferir no rendimento escolar e na socialização.
Outro problema é a ambliopia, conhecida como olho preguiçoso. A condição pode ser prevenida ou tratada quando identificada no período adequado, especialmente nos primeiros anos de vida.
O CBO destaca que grande parte das causas de cegueira e deficiência visual é evitável ou tratável quando diagnosticada precocemente. Entre as principais causas de cegueira no Brasil estão catarata, glaucoma, retinopatia diabética e degeneração macular, problemas que têm maior incidência entre idosos.
O conselho estima que cerca de 1,5 milhão de pessoas sejam cegas no Brasil. Com o envelhecimento da população, a tendência é que a demanda por cuidados oftalmológicos aumente.
Quando procurar atendimento antes da consulta de rotina?
Além do acompanhamento preventivo, alterações repentinas na visão devem ser avaliadas por um profissional de saúde. Perda súbita de visão, manchas ou flashes novos, dor intensa nos olhos, visão dupla ou outras mudanças importantes não devem ser ignoradas.
O CBO também reforça que consultas, exames e procedimentos oftalmológicos devem ser realizados por profissionais habilitados e em ambientes que atendam às exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Fonte: Agência Brasil







