
Fila histórica desafia o governo federal
A fila de espera do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) atingiu 2,042 milhões de requerimentos em dezembro de 2024, o maior número registrado durante o atual governo. Esse volume supera os 1,545 milhão de pedidos que estavam acumulados em dezembro de 2023 e rompe uma tendência de queda observada no primeiro semestre do ano, quando a fila havia recuado para 1,353 milhão em junho.
Suspensão de bônus e problemas no sistema aumentam o represamento
Entre os fatores que contribuíram para o crescimento estão o fim do programa de bônus para servidores, criado no governo anterior, e a utilização do sistema Atestmed. Essa ferramenta digital, que permitia o envio de atestados médicos de forma remota para afastamentos de até 180 dias, inicialmente ajudou a reduzir filas, mas acabou sendo descontinuada, gerando novo represamento.
Especialidades mais afetadas e demora crescente
Os principais benefícios impactados são os auxílios por incapacidade — como auxílio-doença e aposentadoria por invalidez — e os benefícios assistenciais, como o BPC para idosos e pessoas com deficiência. A fila é agravada pela necessidade de perícias médicas e, em alguns casos, pela exigência de biometria. Em estados como os do Nordeste, o tempo médio para concessão líquida chegou a 66 dias, ultrapassando o prazo legal de 45 dias. Nacionalmente, o tempo médio subiu de 34 dias em julho para 39 dias em novembro de 2024.
Impactos diretos na vida dos segurados
A demora na análise de benefícios tem consequências graves para a população. Muitos segurados ficam sem qualquer fonte de renda, enfrentando dificuldades financeiras, insegurança alimentar e dependência de terceiros. Outro reflexo é o crescimento de processos judiciais, com milhares de segurados buscando o Judiciário como alternativa à espera prolongada.
Medidas emergenciais e desafios persistentes
O governo tem adotado medidas como mutirões de atendimento, digitalização de processos e contratação de servidores, mas os esforços ainda não foram suficientes para conter o avanço da fila. O cenário atual evidencia a urgência de uma reestruturação no sistema de análise e concessão de benefícios previdenciários e assistenciais.
A fila continua crescendo
O pico anterior havia ocorrido em junho de 2019, no governo anterior, com cerca de 2,4 milhões de requerimentos. Agora, o número se aproxima novamente desse patamar, destacando que o problema é estrutural e contínuo, exigindo ações coordenadas e de longo prazo para garantir dignidade aos segurados.