
O piloto e influenciador Lito Sousa, conhecido pelo canal Aviões e Músicas, foi diagnosticado com a Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), uma enfermidade rara, neurodegenerativa, progressiva e sem cura. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (21) pela esposa dele, Mila.
Segundo levantamento do Ministério da Saúde, o Brasil registrou 547 casos confirmados da doença entre 2005 e 2021. O estudo analisou 1.576 notificações de casos suspeitos no período.
A DCJ é uma doença priônica, causada pela alteração anormal de uma proteína chamada príon. Essa proteína se acumula no cérebro e provoca a destruição progressiva dos neurônios.
Os primeiros sintomas podem incluir demência, perda de memória e tremores. Com a evolução da doença, outros sinais neurológicos podem surgir e comprometer diferentes funções do organismo.
Quais são os tipos de DCJ?
Existem quatro formas conhecidas da doença: esporádica, hereditária, iatrogênica e a nova variante (vDCJ).
A forma esporádica é a mais comum e geralmente ocorre sem uma causa identificada. A doença hereditária está relacionada a alterações genéticas. Já a forma iatrogênica pode ocorrer em situações específicas relacionadas a procedimentos médicos.
A nova variante da DCJ está associada à encefalopatia espongiforme bovina (EEB), conhecida como “doença da vaca louca”.
Casos no Brasil
Entre as 1.576 notificações analisadas pelo Ministério da Saúde, 547 foram confirmadas, 457 descartadas e 572 permaneceram com classificação final ignorada.
São Paulo concentrou o maior número de confirmações, com 202 casos, seguido por Minas Gerais, com 57, e Paraná, com 44.
A maioria das notificações ocorreu entre pessoas mais velhas. A faixa etária de 55 a 74 anos concentrou 60,2% dos registros, com idade média de 66 anos entre os casos suspeitos.
O número de notificações aumentou ao longo da série histórica, especialmente a partir de 2012. Segundo o Ministério da Saúde, esse crescimento pode estar relacionado à melhora da vigilância epidemiológica, e não necessariamente ao aumento real da ocorrência da doença.
DCJ e a “doença da vaca louca”
A forma esporádica da DCJ não deve ser confundida com a variante da doença, relacionada ao consumo de carne bovina contaminada pela encefalopatia espongiforme bovina.
Segundo o Ministério da Saúde, não houve registro de casos da variante da DCJ no Brasil desde 2005, nem mortes atribuídas a essa forma da doença no país.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico da DCJ envolve avaliação clínica e exames, como ressonância magnética, eletroencefalograma e tomografia. Também pode ser utilizado o exame RT-QuIC, realizado a partir do líquido cefalorraquidiano.
Atualmente, não existe tratamento capaz de reverter ou interromper a evolução da doença. O atendimento é voltado ao controle dos sintomas, suporte ao paciente e prevenção de complicações.
Segundo informações citadas pelo Ministério da Saúde, cerca de 90% dos pacientes evoluem para óbito entre seis meses e um ano após o início dos sintomas, evidenciando a rápida progressão da enfermidade.







