

A Ponte Hercílio Luz, um dos principais cartões-postais de Santa Catarina, completa 100 anos nesta quarta-feira (13) e segue chamando atenção não apenas pela importância histórica, mas também pela complexa engenharia que permite que a estrutura de cerca de 5 mil toneladas permaneça suspensa sobre o canal do Estreito, em Florianópolis.
Inaugurada em 13 de maio de 1926, a ponte foi projetada para ligar a Ilha de Santa Catarina ao continente, em uma época em que a travessia dependia exclusivamente de embarcações. O objetivo era garantir mobilidade e reduzir o isolamento da capital catarinense.
O funcionamento da estrutura, considerada uma ponte pênsil, é baseado em um sistema de equilíbrio entre cabos e pontos de sustentação. No caso da Hercílio Luz, esse papel é desempenhado pelas chamadas barras de olhal, que substituem os cabos de aço utilizados em pontes suspensas modernas.
Essas barras partem dos blocos de ancoragem, estruturas de concreto que chegam a pesar entre 6 e 8 mil toneladas, localizadas em cada margem da ponte. A partir deles, as forças são distribuídas até as torres centrais, sustentando o vão principal por meio de uma rede de elementos interligados.
Entre as barras de olhal e o tabuleiro da ponte estão os pendurais, responsáveis por transferir o peso da estrutura para os cabos principais. O sistema funciona em equilíbrio: enquanto os pendurais sustentam o vão central, os blocos de ancoragem evitam que as torres cedam à tensão dos cabos.
Segundo especialistas, a Ponte Hercílio Luz é a maior estrutura do mundo a utilizar esse sistema de barras de olhal, o que reforça sua singularidade na engenharia mundial.
A história da ponte também inclui períodos de interdição. Em 1982, uma falha em uma das barras de olhal levou ao fechamento total da estrutura, após a identificação de um rompimento que comprometeu a segurança. A ponte permaneceu fechada ao tráfego por décadas, sendo reaberta somente em 2019, após um longo processo de restauração.
Hoje, o monumento não apenas simboliza a ligação entre a ilha e o continente, mas também representa um marco da engenharia e da identidade cultural catarinense, mantendo-se como um dos principais ícones de Florianópolis.
Fonte: G1






