
Uso de recursos e contratos bilionários levantam questionamentos
A Usina Hidrelétrica de Itaipu, uma das maiores do mundo, está no centro de uma nova onda de denúncias envolvendo possível desvio de finalidade e uso político de recursos públicos. O deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança iniciou a coleta de assinaturas para instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar a atual administração da Itaipu Binacional.
Segundo o parlamentar, a empresa tem financiado entidades e projetos alinhados ao governo, o que incluiria repasses bilionários fora da missão da companhia. Um dos principais pontos citados é o financiamento de R$ 752 milhões para a retomada das obras da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), em Foz do Iguaçu (PR), o que gerou críticas sobre a real função da usina e sua vinculação com políticas públicas externas à produção de energia.
Passado marcado por denúncias e mortes suspeitas
As suspeitas de irregularidades em Itaipu não são recentes. Em 1979, o embaixador José Jobim foi encontrado morto em circunstâncias suspeitas após denunciar superfaturamento nas obras de construção da usina. O caso levantou dúvidas que permanecem até hoje sobre a transparência da gestão de Itaipu desde os seus primeiros anos.
Casos anteriores de desvios e recuperação de valores
Em 2018, a Itaipu Binacional recuperou US$ 6,5 milhões desviados em um esquema de corrupção descoberto em 2009, ligado à parte paraguaia da gestão da empresa. O valor fazia parte da caixa de aposentados e pensionistas, evidenciando falhas na governança e controle financeiro binacional.
Transparência e fiscalização voltam ao debate público
Com a crescente pressão por explicações, parlamentares e parte da sociedade civil pedem maior fiscalização sobre os contratos e convênios firmados pela usina, além de mais transparência nos critérios de investimento. As acusações reforçam o debate sobre os limites de atuação de empresas públicas em projetos que extrapolam sua missão original.
O avanço da proposta de CPI poderá dar início a uma nova fase de investigação sobre a usina, que ao longo dos anos alterna sua imagem entre símbolo de engenharia e alvo de denúncias que desafiam a credibilidade da gestão pública.