Em depoimento, ex-diretor geral da PF diz que Bolsonaro queria alguém com ‘mais afinidade’ para o cargo

No depoimento, Maurício Valeixo afirmou que nunca recebeu pedidos por parte de Bolsonaro de interferências em investigações ou de acesso a inquéritos sigilosos

Informações O Globo e Agência Brasil

Maurício Valeixo – Foto: José Cruz/Agência Brasil

O ex-diretor geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo prestou depoimento nesta segunda-feira (11), sobre supostas interferências do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal. Na fala de mais de seis horas, Valeixo afirmou que Bolsonaro queria alguém com quem tivesse “mais afinidade” no cargo e por esse motivo foi demitido. As informações são do jornal O Globo.

Valeixo foi exonerado do comando da PF no último dia 24, horas antes de Moro renunciar ao cargo afirmando que a demissão do ex-diretor-geral tinha pesado para sua decisão de deixar o governo.

Na ocasião, o ex-ministro disse que Valeixo foi exonerado a pedido do presidente Jair Bolsonaro. “[Bolsonaro] me disse mais de uma vez, expressamente, que queria ter [na direção-geral da corporação] uma pessoa do contato pessoal dele, para quem ele pudesse ligar, colher informações, que pudesse colher relatórios de inteligência. Este, realmente, não é o papel da PF”, declarou Moro.

O presidente, no mesmo dia, negou qualquer intervenção na PF. “Não são verdadeiras as insinuações de que eu desejaria saber sobre as investigações em andamento. Nos quase 16 meses em que esteve à frente do Ministério da Justiça, o senhor Sergio Moro sabe que jamais lhe procurei para interferir nas investigações que estavam sendo realizadas”, afirmou Bolsonaro, dizendo que já tinha explicitado a Moro sua insatisfação com o desempenho de Valeixo.

Segundo o jornal O Globo, no depoimento desta segunda-feira, Valeixo relatou que recebeu, na noite de 23 de abril, um telefonema do próprio Bolsonaro. Conforme o ex-diretor geral da PF, o presidente comunicou sua exoneração do cargo nesta ligação e informou que a sua demissão sairia como “a pedido”.

No depoimento, Valeixo afirmou que nunca recebeu pedidos por parte de Bolsonaro de interferências em investigações ou de acesso a inquéritos sigilosos.