CPI dos Respiradores: Empresário confirma pedido de comissão na compra dos respiradores em Santa Catarina

Médico diz que respirador recebido por SC não é próprio para tratamento de Covid-19

O empresário Rafael Wekerlin (no telão) foi ouvido pela CPI dos Respiradores da Alesc, na tarde desta quinta-feira (18) – Foto: Bruno Collaço / Agência AL

Informações Agência AL

O empresário Rafael Wekerlin, CEO da Brazilian International Business, confirmou à comissão parlamentar de inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) que investiga a compra dos 200 respiradores pelo Estado que houve pedido de comissão, no valor de R$ 3 milhões, para que sua empresa fosse contratada pelo governo catarinense para fazer a importação dos equipamentos da China. O depoimento dele encerrou a reunião da CPI dos Respiradores, na tarde desta quinta-feira (18).

A Brazilian International Business é uma empresa de Joinville especializada em comércio exterior. Conforme Wekerlin, ela pode fazer a importação ou exportação de vários produtos. Ele explicou aos deputados que foi procurado por seu representante, chamado Cauê Martins, que ficou sabendo por meio de um amigo chamado Germano do interesse do Estado em trazer da China 200 respiradores artificiais.

“O Samuel [de Brito Rodovalho, representante da Cima, que também seria ouvido pela CPI nesta quinta] seria o fornecedor [dos respiradores], e precisava de uma trade para fazer a importação. Disse que faríamos, esse é um procedimento comum para a nossa empresa”, disse o empresário.

O depoente afirmou à CPI que o primeiro contato sobre os 200 respiradores ocorreu no dia 25 de março, por volta das 19 horas. Cauê Martins lhe disse que o Estado tinha urgência e já pretendia fazer o pagamento no dia seguinte (26 de março). Wekerlin, então, preparou uma pré-proposta, encaminhada ao Estado, no e-mail da Superintendência de Gestão Administrativa (SGA) da Secretaria de Estado da Saúde. Segundo ele, a pré-proposta foi enviada por volta das 21h30 do dia 25.

A testemunha disse aos deputados que avisou que os R$ 33 milhões não seriam suficientes para pagar todo o procedimento, pois esse montante não levaria em conta os impostos, que seriam cobrados posteriormente. Conforme Wekerlin, a pré-proposta de sua empresa foi aprovada, mas para fechar negócio, ele solicitou o edital do processo de compra dos respiradores. “Nós não teríamos lucro nesse processo de importação, faríamos para a ajudar o Estado”, disse.

Para tratar da proposta, segundo a testemunha, foi criado um grupo de Whastapp. Foi nesse grupo que surgiu o pedido de pagamento de comissão pela compra dos respiradores. Na tarde do dia 26, enquanto discutiam os custos da importação, Samuel Rodovalho teria perguntado a Wekerlin sobre os “R$ 3 milhões de comissão dela”, sem especificar quem seria a pessoa que teria pedido ou receberia a tal comissão.

“Na hora, disse que não trabalhava dessa forma e me retirei a negociação. O compliance já tinha sido quebrado. Não quis nem saber de quem ia receber a comissão”, disse o empresário.
“Descartei na hora, não quis saber quem era, deveria ter perguntado, mas vi que aquele negócio era muito sério.”
 
Médico diz que respirador recebido por SC não é próprio para tratamento de Covid-19

A 9ª reunião ordinária da comissão parlamentar de inquérito (CPI) que investiga supostas irregularidades no contrato estabelecido pela Secretaria de Estado da Saúde (SES) e a empresa Veigamed para a compra de respiradores mecânicos contou com uma nova rodada de oitivas na manhã desta quinta-feira (18).

O médico pneumologista Márcio Martins, indicado pela Associação Catarinense de Pneumologia e Tisiologia (ACAPTi), foi questionado sobre a utilização de respiradores mecânicos para o atendimento de casos graves de Covid-19.


Foto: Bruno Collaço / Agência AL

Uma das primeiras questões levadas ao especialista, pelo deputado Kennedy Nunes (PSD), foi se aparelhos como o Shangrilá 510S podem ser utilizados neste tipo de tratamento. Na ocasião foi observado que o contrato firmado pelo governo catarinense com a Veigamed previa a entrega de 200 equipamentos do modelo VG70, de uso fixo nas UTIs, sendo recebido 50 unidades do tipo portátil Shangrilá 510S.

Em resposta, Martins declarou que aparelhos como o Shangrilá 510S não servem para uso contínuo em uma UTI, sendo voltados apenas para ventilar o paciente em ambulâncias ou em situações de transporte dentro da própria unidade hospitalar, como para  a realização de um exame de imagem.

“Esses ventiladores de transporte não são ideais para ventilar os pacientes com Covid-19 que tenham desenvolvido síndrome de angústia respiratória aguda, que é um grau de insuficiência respiratória grave e que vão necessitar de ventiladores mais robustos, que possam ventilar e dar condições para que seus pulmões se recuperem.”, disse o médico.