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Número de mortos por ciclone em Moçambique passa de 400

Organização das Nações Unidas (ONU) alerta para novas enchentes; tempestade também atingiu seriamente Zimbábue e Malawi.

Homens encontram corpo de um garoto de 17 anos morto em deslizamento causado pelo ciclone Idai, no Zimbábue, na sexta (22). — Foto: KB Mpofu/AP

Por Reuters, via G1

O número de mortos em Moçambique após a passagem de um ciclone pelo sul da África, onde causou enchentes devastadoras, subiu para mais de 400, disse um ministro do país neste sábado (23), enquanto a Organização das Nações Unidas (ONU) alerta para novas enchentes.

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Somando o desastre que também atingiu o Zimbábue e Malawi, além de Moçambique, o número de vítimas fatais passava de 500 em balanço feito na sexta-feira.

O ciclone Idai castigou Beira, cidade portuária moçambicana, com ventos de até 170 km por hora na semana passada, antes de seguir em direção ao Zimbábue e ao Malawi, provocando o desmoronamento de prédios e ameaçando a vida de milhares de pessoas. “A situação está melhorando, ainda é complicada, mas está ficando melhor”, disse o ministro do Meio Ambiente, Celso Correia, ressaltando que as condições de trabalho no terreno têm ficado menos difíceis.

Imagens de satélite mostram a vista aérea da cidade de Beira, em Moçambique, antes (esquerda) e depois da passagem do ciclone, neste sábado (23). — Foto: DigitalGlobe/AP

1 milhão de crianças desabrigadas

O ciclone Idai deixou 1 milhão de crianças desabrigadas, afirmou neste sábado (23) a diretora-executiva do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Henrietta Fore, após uma visita a região central de Moçambique, a mais devastada pela catástrofe. “O mundo não pode pensar que é uma crise pontual. Existe uma crise de curto prazo, mas, também uma de longo prazo”, disse a americana.

“Mas infelizmente o número de mortos está aumentando, temos até agora 417 pessoas que perderam suas vidas”, disse o ministro. As enchentes deixaram milhares de pessoas desabrigadas, sem comida ou água potável. Alguns sobreviventes se refugiaram em igrejas e centros improvisados, enquanto alguns se juntaram a agências de ajuda humanitária e ao governo no socorro a algumas áreas.

Correia disse que 1,5 mil pessoas estão aguardando resgate em telhados e árvores.

As operações de reconstrução também começam lentamente. Alguns habitantes buscam entre os escombros de um supermercado chapas de metal para construir casas precárias. E os técnicos trabalhavam para restaurar as linhas telefônicas e a eletricidade.

Quanto à saúde, a preocupação cresce. Houve casos de diarreia, de acordo com o prefeito de Beira, enquanto voluntários e socorristas alertaram para o risco de cólera ou febre tifóide.

Dada a magnitude dos danos, uma conferência de doadores está agendada para 11 de abril.


Pessoas ilhadas em enchente do Rio Buzi após passagem de ciclone em Moçambique — Foto: Siphiwe Sibeko/Reuters

Zimbábue e Malawi

Após destruir Beira, que é a segunda maior cidade de Moçambique, com ventos de mais de 177 km/h, seguidos de chuvas torrenciais, o ciclone seguiu para os países vizinhos Zimbábue e Malawi.

O Idai já é considerado a pior tempestade tropical a atingir a região nas últimas décadas e pode ser uma das piores a ter atingido o sudeste do hemisfério sul, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU).

No Zimbábue foi decretado luto nacional de dois dias, e os sobreviventes continuam buscando entre os escombros o que pode ser salvo.

Um telefone foi instalado em Chimanimani, epicentro da destruição no país. As famílias fazem fila para poder telefonar para suas famílias, enquanto os sobreviventes enterram seus mortos.

Cerca de 200 pessoas, incluindo 30 estudantes, seguem desaparecidas no Zimbábue.


Helicóptero das Forças de Defesa Nacional da África do Sul sobrevoa área inundada de Beira, em Moçambique, nesta quarta-feira (20) — Foto: Maryke Vermaak / AFP