Chile tem toque de recolher após sete mortes em protestos

Nos mais graves distúrbios em décadas, Chile tem saques e incêndios

Informações O Globo e Agência Brasil

O Chile vive os mais graves protestos em décadas. Na madrugada deste domingo (20), um novo protesto deixou duas pessoas mortas e um incêndio em Renca, em Santigo deixou mais cinco vitimas fatais. As autoridades chilenas estenderam o toque de recolher na capital, além de Valparaíso e Concepción, que começa a valer a partir das 19h (horário local). O anúncio foi feito na tarde desde domingo, pelo general Javier Iturriaga, após uma reunião entre o presidente Sebastián Piñera , o líder do Senado, Jaime Quintana; da Câmara, Iván Flores; e da Corte Suprema, Haroldo Brito.

“A democracia não apenas tem o direito, mas também a obrigação de se defender usando todos os instrumentos que a própria democracia fornece e o Estado de Direito para combater aqueles que querem destruí-la”, disse o presidente chileno.

No fim de semana, o centro de Santiago virou um cenário de destruição: semáforos no chão, ônibus queimados, lojas saqueadas e milhares de destroços nas ruas após os protestos iniciados na sexta-feira contra o aumento do preço da passagem do metrô, o estopim para uma série de reivindicações sociais.

Inicialmente, as ações se concentraram em pular as catracas das estações e em bloquear vias públicas. No entanto, durante a noite, as manifestações se tornaram violentas, com incêndios em 19 estações de metrô, saques em supermercados e lojas e destruição de agências bancárias, em meio a panelaços pela cidade.

A escada externa de emergência do edifício central da companhia elétrica Enel, próximo ao Cerro Santa Lucía, um dos principais pontos turísticos da capital chilena, foi incendiada. O fogo foi controlado pelos bombeiros, mas as chamas chegaram até o 12º andar da escada de emergência e afetou escritórios da companhia no primeiro andar do prédio.

O Corpo de Bombeiros de Santiago confirmou que o incêndio no edifício da companhia elétrica foi intencional. No entanto, ainda não há provas de que o fogo tenha relação com os protestos.

No fim da noite de sexta-feira, o presidente Sebastián Piñera interrompeu compromissos pessoais e voltou para o palácio presidencial de La Moneda, onde decretou o estado de emergência após se reunir com os ministros da Defesa, lberto Espina, e do Interior Andrés Chadwick. Designado para chefiar do estado de emergência, o general Javier Iturriaga descartou a possibilidade de decretar toque de recolher.

No sábado (19), a capital chilena fazia as contas do estrago. Ao todo, 41 estações de metrô foram vandalizadas, incluindo as incendiadas. Foram registrados 156 policiais feridos e, até o momento, existem 11 ocorrências de civis feridos.

O prefeito da comuna de La Florida, Rodolfo Carter, informou pela manhã que o estado de emergência deve ser suspenso na segunda-feira (21) ou na terça-feira (22).

O metrô da capital chilena e da região metropolitana está fechado durante todo o fim de semana. A companhia alegou falta de segurança para os trabalhadores. Um maquinista chegou a ficar preso numa estação em chamas, mas conseguiu ser resgatado. Em contrapartida, a frota de ônibus foi reforçada.