quinta-feira, abril 3, 2025
InícioGestão & NegóciosGoverno zera imposto de importação de alimentos e prejudica as empresas brasileiras

Governo zera imposto de importação de alimentos e prejudica as empresas brasileiras

Medida busca conter inflação, mas preocupa produtores e pode enfraquecer a produção nacional no longo prazo

Foto: Givanildo Silva | Doutor em Ciências Contábeis e Administração

O governo federal anunciou a redução a zero das alíquotas de importação para uma série de alimentos, como carnes, café, açúcar, milho, azeite e massas. A decisão faz parte de um conjunto de medidas para conter a alta dos preços e aumentar a oferta de produtos no mercado interno. No entanto, representantes do setor produtivo alertam para possíveis impactos negativos, como concorrência desleal para produtores nacionais, desestruturação da cadeia produtiva e dependência do mercado externo.

Alimentos que terão imposto zerado

A redução das alíquotas de importação engloba diversos produtos consumidos diariamente pelos brasileiros. Entre eles estão:

  • Carne: de 10,8% para 0%
  • Café: de 9% para 0%
  • Açúcar: de 14% para 0%
  • Milho: de 7,2% para 0%
  • Óleo de girassol: de 9% para 0%
  • Azeite de oliva: de 9% para 0%
  • Sardinha: de 32% para 0%
  • Biscoitos: de 16,2% para 0%
  • Massas alimentícias: de 14,4% para 0%

Além da redução dos impostos, o governo também anunciou ações como o fortalecimento do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi) e o aumento dos estoques reguladores da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

- Continua após o anúncio -

Impactos para o consumidor e para o mercado

Para os consumidores, a medida pode trazer redução nos preços dos alimentos, ampliando o poder de compra da população e ajudando a conter a inflação. No entanto, para o mercado interno, os efeitos podem ser controversos.

Pequenos e médios produtores podem ser os mais prejudicados, pois não têm a mesma estrutura para competir com empresas internacionais. Indústrias de processamento de alimentos também podem sofrer queda na demanda por produtos nacionais, afetando empregos e investimentos no setor.

Outro ponto de preocupação é a arrecadação dos estados e municípios. Como parte da tributação vem da produção e venda de alimentos, a redução da atividade econômica nacional pode gerar queda no ICMS, impactando o financiamento de serviços públicos.

Risco de dependência externa e dificuldades na retomada da produção

Especialistas alertam que, se os produtores nacionais perderem espaço para importações, o Brasil pode se tornar dependente de fornecedores externos, tornando-se vulnerável a flutuações cambiais, crises globais e mudanças nas políticas de exportação dos países parceiros.

Além disso, retomar a produção nacional no futuro pode ser desafiador. Se empresas fecharem e cadeias produtivas forem desestruturadas, o custo para reativá-las será alto, demandando investimentos e tempo. Tecnologias desenvolvidas para o setor agropecuário também podem ser deixadas de lado, reduzindo a competitividade brasileira no longo prazo.

Baixar impostos sempre é positivo?

Embora a redução de impostos seja, em muitos casos, um incentivo econômico, seu impacto depende do contexto e da forma como a política é aplicada. A decisão pode ser positiva quando há estrutura para competir, sem prejudicar setores estratégicos, e quando faz parte de uma estratégia mais ampla para fortalecer a indústria nacional.

Por outro lado, se não for acompanhada de políticas que protejam os produtores locais, pode gerar efeitos negativos, como desindustrialização, desemprego e perda de autonomia alimentar.

Caminhos possíveis para minimizar os impactos

Para evitar uma crise futura na produção nacional, especialistas sugerem algumas estratégias que podem minimizar os riscos da medida:

  • Criar incentivos para a modernização da produção nacional, permitindo que os produtores brasileiros sejam mais competitivos.
  • Manter estoques reguladores estratégicos, evitando que oscilações externas afetem o abastecimento interno.
  • Estabelecer políticas de transição, garantindo que os impactos da concorrência internacional sejam absorvidos de forma gradual.
  • Fomentar novas cadeias produtivas e investimentos em tecnologia agroindustrial, para evitar a estagnação do setor.

O governo ainda não anunciou medidas específicas para proteger os produtores nacionais. Enquanto isso, o setor agrícola e agroindustrial segue apreensivo com os efeitos da decisão sobre a economia e o futuro da produção de alimentos no país.

Publicidade

Notícias relacionadas

SIGA O CLICRDC

147,000SeguidoresCurtir
120,000SeguidoresSeguir
13,000InscritosInscreva-se

Participe do Grupo no Whatsapp do ClicRDC e receba as principais notícias da nossa região.

*Ao entrar você está ciente e de acordo com todos os termos de uso e privacidade do WhatsApp