
Dívida crescente, riscos reais
A dívida pública brasileira pode alcançar 83% do Produto Interno Bruto (PIB) nos próximos anos, segundo projeções de órgãos oficiais e especialistas. Em 2024, a dívida bruta fechou em 76,1% do PIB, mas estimativas apontam que o percentual pode subir para 84% até 2026. Esse cenário fiscal desafiador está diretamente ligado ao aumento de gastos obrigatórios, renúncias fiscais elevadas e ao custo com juros da dívida.
Bilhões em renúncias e juros
Um dos principais fatores por trás desse avanço é o pagamento de juros, que chegou a R$ 1 trilhão em 2024. Além disso, as renúncias fiscais da União totalizaram R$ 581,5 bilhões, equivalentes a 5,9% do PIB, reduzindo a capacidade de arrecadação do governo. Ao mesmo tempo, as despesas obrigatórias consumiram 92% de todo o orçamento primário, o que engessa a máquina pública e impede novos investimentos.
Déficit e crescimento lento agravam cenário
Mesmo com uma arrecadação de R$ 2,652 trilhões, o governo central registrou um déficit primário de R$ 11 bilhões em 2024, número que sobe para R$ 43 bilhões se considerados os efeitos das calamidades no Rio Grande do Sul. A combinação de déficit fiscal com crescimento econômico ainda modesto compromete o equilíbrio das contas públicas e amplia o endividamento.
Impactos diretos no cotidiano da população
O aumento da dívida pública não é apenas um problema técnico. Afeta diretamente a vida dos brasileiros, pois reduz a disponibilidade de recursos para áreas como saúde, educação e infraestrutura. Com mais dinheiro comprometido no pagamento de dívidas, menos sobra para investir em políticas públicas e serviços essenciais.
Além disso, para conter o avanço da dívida, o governo pode ser forçado a aumentar a carga tributária, pressionando ainda mais o orçamento das famílias. A manutenção de juros altos dificulta o acesso ao crédito, desestimula o consumo e inibe a geração de empregos.
Equilíbrio fiscal como desafio urgente
A projeção de que a dívida possa chegar a 83,1% do PIB em 2028, caso não haja medidas de ajuste fiscal, reforça a urgência de reformas estruturais. O cenário exige decisões estratégicas para garantir a sustentabilidade das finanças públicas e preservar a capacidade do Estado em promover o bem-estar da população.
Com a maior parte do orçamento comprometida, o país precisa buscar um novo pacto fiscal que combine responsabilidade, eficiência e justiça social.