
Os dados indicam um quadro de deterioração da percepção pública sobre a gestão federal, com a desaprovação alcançando 53% e a aprovação caindo para 45,7%. Além disso, 50,8% dos entrevistados consideram o governo “ruim” ou “péssimo”, enquanto apenas 37,6% o avaliam como “ótimo” ou “bom”.
Para compreender essa mudança na opinião pública, é importante analisar os resultados dessa pesquisa em comparação com levantamentos anteriores e os fatores que podem estar impulsionando essa tendência.
Evolução da avaliação do governo Lula
Comparação com pesquisas anteriores
Os dados indicam uma trajetória de queda na aprovação do governo e crescimento na rejeição desde o final de 2024:
- Outubro de 2024 (Datafolha): Aprovação em 36%, com sinais de desgaste já perceptíveis.
- Dezembro de 2024 (AtlasIntel): Desaprovação em 49%, aprovação em 47%.
- Janeiro de 2025 (AtlasIntel): Desaprovação sobe para 51,4%, aprovação cai para 45,9%.
- Fevereiro de 2025 (AtlasIntel – última pesquisa): Desaprovação atinge 53%, aprovação cai para 45,7%.
O crescimento da rejeição ao governo nos últimos meses sugere uma insatisfação contínua da população com a administração federal, superando a aprovação de forma progressiva.
Fatores que influenciaram essa mudança
Os números da pesquisa indicam que a insatisfação com o governo cresceu em parte devido a questões econômicas e sociais. Entre os principais fatores que podem estar contribuindo para essa queda de popularidade estão:
Economia e Inflação
- A inflação é apontada como o maior problema do país, sendo mencionada por 75% dos entrevistados.
- O alto custo de vida, impulsionado pela inflação, tem impactado diretamente a percepção popular sobre a gestão do governo.
- Problemas relacionados à reforma tributária também foram citados: 41,5% consideram a reforma um avanço que precisa de melhorias, enquanto 35% a veem como um retrocesso.
Criminalidade e corrupção
- A criminalidade foi apontada como uma das maiores preocupações dos brasileiros, mencionada por 58% dos entrevistados.
- A corrupção continua sendo uma preocupação importante, citada por 49% dos entrevistados.
- Isso sugere que a percepção sobre segurança pública e transparência do governo tem afetado a avaliação da gestão Lula.
Comparação com governos anteriores
- Segundo os dados da pesquisa, 49,4% dos entrevistados consideram o governo atual pior que o anterior, enquanto 48,9% acreditam que é melhor.
- Essa divisão quase equilibrada mostra que uma parcela significativa da população tem uma visão negativa do governo Lula quando comparado com sua gestão anterior e com outros presidentes.
Quem mais apoia e quem mais rejeita o governo?
Os dados da pesquisa também revelam perfis demográficos distintos na aprovação e desaprovação do governo:
Segmentos que mais desaprovam Lula
- Homens
- Pessoas com ensino médio completo
- Jovens entre 16 e 44 anos
- Evangélicos
- Moradores das regiões Centro-Oeste, Norte, Sul e Sudeste
O aumento da rejeição nesses segmentos indica um desgaste entre a população economicamente ativa e em regiões tradicionalmente menos favoráveis ao PT.
Segmentos que mais apoiam Lula
- Nordeste: A região ainda mantém um saldo positivo para Lula, com 57,9% de aprovação contra 41,3% de desaprovação.
- Pessoas de baixa renda: Tradicionalmente, Lula tem maior aprovação entre as camadas mais pobres da população.
Essa divisão regional e social reflete a base histórica do PT, que mantém maior apoio no Nordeste e entre as classes mais vulneráveis.
Impactos políticos e possíveis desdobramentos
Os resultados da pesquisa AtlasIntel sugerem que o governo Lula enfrenta um momento crítico, com risco de erosão política e aumento da insatisfação popular. Se essa tendência continuar, pode haver repercussões significativas:
Risco de perda de apoio no Congresso
Com a popularidade em queda, o governo pode enfrentar mais dificuldades para aprovar projetos no Congresso, especialmente em temas polêmicos como a reforma tributária e a regulação de novos tributos.
Reação do governo
O governo precisará tomar medidas concretas para conter essa crescente desaprovação. Algumas possíveis estratégias incluem:
- Políticas econômicas mais eficazes para conter a inflação e estimular o crescimento.
- Maior controle sobre a narrativa de segurança pública, respondendo às preocupações com criminalidade.
- Melhoria na comunicação institucional, buscando reconquistar o eleitorado que migrou para a insatisfação.
Impacto nas eleições de 2026
Caso a queda de popularidade continue nos próximos meses, isso pode impactar as eleições municipais de 2024 e as eleições presidenciais de 2026. A oposição pode explorar a insatisfação crescente para consolidar discursos contra o governo, reduzindo as chances de um eventual candidato governista na próxima disputa presidencial.
Aumento da desaprovação
A pesquisa AtlasIntel divulgada ontem reforça um cenário de aumento da desaprovação ao governo Lula, atingindo 53% de rejeição e um crescimento na avaliação negativa da gestão. Comparado a levantamentos anteriores, percebe-se uma tendência de desgaste progressivo da popularidade do presidente, impulsionada principalmente por questões econômicas, inflação, criminalidade e percepção de corrupção.
Os desafios do governo agora são conter essa insatisfação e evitar que ela continue se aprofundando nos próximos meses. Para isso, será essencial adotar estratégias voltadas à economia, segurança pública e comunicação com a população.
Se essa tendência não for revertida, o governo pode enfrentar dificuldades políticas e eleitorais no futuro, abrindo espaço para a oposição consolidar sua posição. O cenário político continua fluido, e as próximas pesquisas serão fundamentais para entender se essa desaprovação continuará crescendo ou se o governo conseguirá recuperar parte do apoio popular perdido.