LaMia culpa controladora de voo por acidente da Chapecoense

O desastre matou 71 pessoas em novembro de 2016

Foto: Reprodução/Senado

A empresa La Mia, através do empresário venezuelano Ricardo Albacete – dono do avião que caiu com o time de futebol da Chapecoense em 2016 – culpou uma controladora de voo do aeroporto pelo desastre que matou 71 pessoas. A declaração foi feita na manhã de quinta-feira (12), durante audiência da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Chape.

De acordo com ele, mesmo após a tripulação da LaMia ter pedido prioridade para aterrissar por “problemas de combustível”, a controladora de voo, Yaneth Molina, deu preferência a outra aeronave.


— Infelizmente a tripulação não insistiu com o controle aéreo e não declarou emergência de antemão. Seguiu fazendo minutos de espera. O outro avião também tinha pedido prioridade, mas não era emergência. O piloto da LaMia sabia a altura da aeronave, mas não sabia onde estava em relação à pista. O que ele fez? Procurou a pista, mas não tinha mais potência. A senhora Molina os matou — disse.


O empresário reconheceu que a aeronave tinha pouco combustível no momento do acidente. Mas, para ele, a autonomia era suficiente para cumprir a distância entre Santa Cruz de la Sierra e Medellín. Apesar disso, ele também avalia que a tripulação “não cumpria exatamente as regras da aviação”, já que não havia uma margem de segurança para enfrentar situações de emergência.

— Havia pouco combustível. Infelizmente, eles não seguiam as regras aí. Os tripulantes foram intrépidos, audazes. Nesse dia, infelizmente, eu os considero como idiotas. Mas esse avião, quando estava a 16 mil pés de altitude poderia chegar, passar por cima da pista e dar uma volta de reconhecimento de voo. Infelizmente, a senhora Yaneth Molina os mandou para as montanhas — afirmou.


Apólice de seguro

Albacete rebateu a acusação de que a LaMia descumpriu uma cláusula de exclusão prevista no contrato de seguro da aeronave que impedia o acesso ao espaço aéreo da Colômbia. De acordo com ele, as autoridades aeronáuticas da Colômbia — além de Venezuela, Brasil, Bolívia, Paraguai e Argentina — autorizaram que a LaMia realizasse voos sobre a região.

A CPI ouviu ainda o empresário boliviano Marco Rocha Venegas, sócio da LaMia. Por meio de videoconferência, ele confirmou que as autoridades aeronáuticas de países da América Latina nunca questionaram a apólice de seguro apresentada pela companhia para voos na região.