InícioEleições 2026Imigrantes precisam de naturalização brasileira para votar nas eleições

Imigrantes precisam de naturalização brasileira para votar nas eleições

Processo gratuito garante acesso aos direitos políticos, mas exigências documentais e dificuldades de compreensão podem ser obstáculos

A Pastoral do Migrante não encaminha o processo, mas orienta interessados. Foto: Júlia Mocellin/ClicRDC

Neste domingo (25) acontece o segundo turno das Eleições de 2026. A Constituição Federal mantém o voto obrigatório para maiores de 18 anos e facultativo para os analfabetos, maiores de 70 e jovens entre 16 e 17 anos. Menores de 16 não podem votar. Além dessas pessoas, imigrantes não-naturalizados também não têm o direito garantido. O processo pode ser encaminhado on-line, pelo site da Polícia Federal de forma gratuita, mas é possível que se encontre percalços no caminho. 

O advogado Everson Gollo explica que “o estrangeiro pode residir há anos no município, trabalhar, empreender, pagar tributos, utilizar serviços públicos, ter filhos matriculados nas escolas e participar da vida econômica e social da cidade, mas não pode escolher diretamente seus representantes por meio do voto”. No entanto, isso não significa ausência de participação social ou de direitos. Gollo afirma que o estrangeiro residente pode apresentar requerimentos, participar de associações e organizações da sociedade civil, procurar vereadores e órgãos públicos, participar de audiências, etc. “O que lhe falta, enquanto estrangeiro, é especificamente o exercício dos direitos políticos, reservados constitucionalmente aos eleitores”. 

Representatividade política 

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Em Chapecó, dados da Prefeitura de Chapecó, de 19 de outubro apontaram 26.595 imigrantes com residência no município. São 82 nacionalidades diferentes, com predominância de venezuelanos – cerca de 21.500 pessoas. Genesis Perez é líder da comunidade imigrante em Chapecó e atende diariamente dezenas de famílias na Pastoral do Migrante. Segundo ela, existem diferentes posicionamentos dentro da própria comunidade acerca do interesse na participação política. 

Enquanto algumas pessoas consideram importante o posicionamento, outras preferem manter distância do assunto. A justificativa é a falta de conhecimento sobre a história e o cenário político brasileiro, além do receio de que o envolvimento com política possa trazer problemas. 

Everson Gollo afirma que “isso pode reduzir o peso eleitoral direto das demandas específicas dessa comunidade. Políticas de acolhimento, ensino de português, acesso a serviços públicos, regularização documental e integração social, por exemplo, afetam diretamente essa população”. Genesis ainda acrescenta que a nacionalidade também difere uma comunidade imigrante da outra, o que individualiza ainda mais certas necessidades. 

“Cada processo é um processo” 

“A maioria que busca a naturalização é para que possa participar de concurso público e ter o direito ao voto”, afirma Genesis. Ainda, com o processo concluído, a pessoa pode candidatar-se à cargos políticos. A naturalização brasileira pode ser solicitada através do site da Polícia Federal. 

“É gratuito, porém nem todo mundo tem a compreensão”, porque o material é “extremamente jurídico”, e “tem um protocolo e requisitos que a pessoa precisa seguir”. Genesis ressaltou que a residência permanente de nove anos, o certificado do curso de língua portuguesa com reconhecimento do Ministério da Educação e a renda fixa, são pontos de dificuldade para que os imigrantes consigam seguir com o processo, além de particularidades como “quando” e “como” a pessoa entrou no Brasil. 

Mudanças

Há nove anos no Brasil e com importante participação na comunidade imigrante em Chapecó, Genesis afirma que “mesmo que tenhamos uma política migratória que é exemplo para a América Latina, ainda assim a gente (comunidade imigrante), tem barreiras, e precisamos melhorar para que os imigrantes consigam ter mais acesso”. 

Além do interesse da própria comunidade em buscar o processo de naturalização, Genesis ressalta que há “interesses políticos mediando interesses”, o que também dificulta o acesso. “Os imigrantes quanto mais precarizados e menos representação tiverem, menos direitos consequentemente”. Para Genesis, em Chapecó, já seria possível eleger, pelo menos, um vereador e ter “uma representatividade que possa legislar em prol da comunidade imigrante”. 

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