
Tarifas recíprocas entram em vigor nesta quarta
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a aplicação de tarifas de importação mínimas de 10% para todos os países que mantêm barreiras comerciais contra produtos norte-americanos. A medida, batizada de “tarifas recíprocas”, entra em vigor nesta quarta-feira, 2 de abril de 2025, e visa equilibrar as condições de concorrência internacional, segundo o governo dos EUA.
Embora países como China, Vietnã, Taiwan e Tailândia tenham sido alvos de tarifas mais altas — chegando a até 49%, no caso vietnamita — o Brasil foi incluído no grupo que enfrentará a alíquota mínima de 10%.
Impacto direto nas exportações brasileiras
Entre os produtos brasileiros que podem ser afetados estão aço, alumínio e etanol, setores estratégicos para a balança comercial do país. Apesar de o Brasil não ter sido citado com tarifas elevadas, a taxação mínima já representa um impacto relevante para os exportadores nacionais.
O governo brasileiro demonstrou preocupação com os efeitos da medida. Autoridades avaliam acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC) e intensificar o diálogo bilateral com os EUA. O objetivo é buscar exceções tarifárias ou acordos específicos, como cotas, que preservem parte do acesso ao mercado americano.
Reação política e alternativas em debate
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que as tarifas podem aumentar a inflação nos próprios Estados Unidos, ao encarecer produtos importados. Lula defende uma resposta multilateral à política tarifária americana e discute medidas internas de contenção de danos às exportações.
Em paralelo, avança no Congresso Nacional o chamado “PL da Reciprocidade”, que autoriza o governo brasileiro a aplicar sanções comerciais contra países que prejudiquem as exportações nacionais. O projeto já foi aprovado no Senado e aguarda votação na Câmara dos Deputados.
Guerra comercial à vista?
A decisão de Trump reacendeu temores de uma nova guerra comercial global. Países como China, União Europeia e Japão já reagiram criticamente, sinalizando possíveis retaliações comerciais. Especialistas alertam para efeitos negativos no crescimento econômico mundial, caso o cenário de disputas tarifárias se intensifique.
As tarifas anunciadas nesta terça-feira passam a valer à meia-noite desta quarta. O mercado internacional acompanha com atenção as próximas movimentações diplomáticas e econômicas.