quarta-feira, julho 29, 2026
InícioECONOMIATarifas dos EUA podem frear empregos e afetar indústria de Santa Catarina,...

Tarifas dos EUA podem frear empregos e afetar indústria de Santa Catarina, alerta economista da FIESC

Economista da Federação das Indústrias de Santa Catarina afirma que o Estado será mais impactado que a média nacional devido ao perfil das exportações e defende negociações diplomáticas para reduzir os prejuízos.

Imagem: Internet

⚡ Em Resumo:

  • O que é: Aumento das tarifas de importação dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, com impacto maior para Santa Catarina devido ao perfil industrial das exportações.
  • Números principais: 54% das exportações catarinenses em valor serão atingidas pelas novas tarifas; outros 40% já estavam sujeitos à Seção 232; apenas 5% permanecem livres. A Fiesc estima que 7,6 mil empregos deixaram de ser gerados no primeiro período de vigência das tarifas e um impacto potencial de R$ 1,2 bilhão no PIB.
  • Onde: Santa Catarina, com maior impacto nas regiões Oeste, Planalto Norte e Serra Catarinense.
  • Quem afeta: Indústrias de madeira, móveis, autopeças, máquinas, equipamentos elétricos, metalmecânico e papel. O setor de proteínas tende a sofrer menos por ter maior facilidade para acessar outros mercados.

Por que Santa Catarina será mais afetada pelas tarifas dos Estados Unidos?

Santa Catarina está entre os estados brasileiros mais expostos às novas tarifas impostas pelos Estados Unidos. Isso ocorre porque o país é o segundo maior parceiro comercial dos catarinenses, atrás apenas da China, e porque grande parte da pauta exportadora do Estado é formada por produtos industrializados de maior valor agregado.

Segundo o economista da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Ricardo Souza, o principal efeito não é apenas o aumento do custo para vender aos norte-americanos, mas a perda de competitividade frente a concorrentes internacionais que podem enfrentar tarifas menores.

Quais setores da indústria catarinense devem sentir mais os efeitos?

Os segmentos mais afetados são justamente aqueles que mais exportam para os Estados Unidos. Entre eles estão a indústria de madeira e móveis, responsável pelo principal produto catarinense vendido ao mercado americano, as portas e molduras de madeira, além dos setores de máquinas, equipamentos elétricos, metalmecânico, autopeças e papel.

- Continua após o anúncio -

De acordo com a análise da Fiesc, como os Estados Unidos buscam fortalecer a produção interna, os produtos manufaturados acabam sendo os principais alvos das tarifas.

Qual o impacto das tarifas sobre as exportações catarinenses?

A estimativa apresentada pelo economista da Fiesc é de que as novas medidas atingirão cerca de 54,5% do valor das exportações catarinenses para os Estados Unidos. Além disso, aproximadamente 40% das vendas já estavam submetidas às tarifas previstas na Seção 232 da legislação norte-americana. Na prática, apenas 5% das exportações do Estado permanecem livres das cobranças adicionais.

Como o Oeste catarinense pode ser afetado?

Para Ricardo Souza o Oeste deve sentir principalmente os reflexos sobre o mercado de trabalho. Com base na primeira edição do tarifaço, entre agosto de 2025 e fevereiro deste ano, a Fiesc estima que cerca de 7.600 empregos deixaram de ser gerados em Santa Catarina, especialmente nas regiões Oeste, Planalto Norte e Serra Catarinense. A entidade também projeta um impacto de aproximadamente R$ 1,2 bilhão no Produto Interno Bruto (PIB) catarinense em um horizonte de um a dois anos.

A indústria da carne será uma das mais prejudicadas?

Segundo o economista, o setor de proteínas tende a sofrer menos do que outros segmentos industriais. Isso porque carnes possuem maior demanda internacional e encontram com mais facilidade mercados alternativos, como países da Ásia e da Europa. Já produtos industrializados, como móveis, madeira beneficiada, autopeças e máquinas, enfrentam maior dificuldade para redirecionar as exportações.

O consumidor catarinense sentirá aumento nos preços?

A avaliação da Fiesc é de que o impacto direto sobre os preços ao consumidor deve ser limitado. Os principais efeitos devem aparecer na desaceleração da economia, redução do ritmo da atividade industrial e menor geração de empregos. Outros fatores internacionais, como oscilações do petróleo e conflitos geopolíticos, podem influenciar os preços, mas não estão diretamente relacionados às tarifas.

As tarifas devem permanecer por muito tempo?

Para o economista a avaliação é de que ainda não há uma definição sobre a duração das medidas. No entanto, a Fiesc lembra que as tarifas aplicadas anteriormente acabaram sendo suspensas por decisão da Justiça dos Estados Unidos. Apesar disso, a entidade considera que os efeitos econômicos observados no primeiro período servem como referência para o cenário atual.

O que a Fiesc defende para reduzir os impactos?

A Federação das Indústrias de Santa Catarina avalia que o Brasil deve priorizar a negociação diplomática com os Estados Unidos e evitar a adoção de medidas de reciprocidade tarifária, que poderiam ampliar as tensões comerciais. Além disso, a entidade defende apoio aos setores mais afetados, preservação de empregos e investimentos, além do fortalecimento da abertura de novos mercados para reduzir a dependência do comércio com os Estados Unidos.

Qual é a orientação para os empresários catarinenses?

Para a Fiesc, o momento exige planejamento e diversificação. A entidade alerta que empresas norte-americanas podem fortalecer relações comerciais com fornecedores de outros países caso as tarifas permaneçam por um período prolongado. Por isso, ampliar a presença em novos mercados internacionais passa a ser uma estratégia importante para reduzir riscos e preservar a competitividade da indústria catarinense.

Por: Cesar Romano

Publicidade

Notícias relacionadas

SIGA O CLICRDC

147,000SeguidoresCurtir
120,000SeguidoresSeguir
13,000InscritosInscreva-se

Participe do Grupo no Whatsapp do ClicRDC e receba as principais notícias da nossa região.

*Ao entrar você está ciente e de acordo com todos os termos de uso e privacidade do WhatsApp