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Produtividade do milho cresce em Santa Catarina, mas estado ainda enfrenta déficit de produção

Câmara Setorial de Grãos debateu o cenário da cultura para a safra 2026/27 e destacou desafios, oportunidades e perspectivas para os produtores catarinenses

Foto: Divulgação

A Câmara Setorial de Grãos de Santa Catarina realizou, nesta quinta-feira (2), uma reunião voltada à análise da cadeia produtiva do milho. O encontro reuniu representantes do setor produtivo, pesquisadores, técnicos da extensão rural e integrantes de órgãos governamentais para debater o desempenho da cultura e as perspectivas para a safra 2026/27.

Durante a programação, especialistas apresentaram informações sobre o cenário estadual, nacional e internacional, além de discutir fatores que influenciam diretamente a produção, os preços e a competitividade do milho. A reunião também foi transmitida ao vivo pelo YouTube, ampliando o acesso às informações para produtores e profissionais do setor.

Como está o cenário do milho em Santa Catarina?

Santa Catarina continua entre os principais produtores de milho do país, com uma produção anual superior a 2,5 milhões de toneladas. Apesar disso, o estado ainda enfrenta um déficit estrutural, já que o consumo ultrapassa 8 milhões de toneladas por ano, impulsionado principalmente pelas cadeias de suínos, aves e produção leiteira.

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Segundo dados apresentados pela Epagri/Cepa, a produção estadual gira em torno de 2,7 milhões de toneladas. Esse volume não é suficiente para atender à demanda interna, tornando necessária a importação de milho de outros estados para abastecer as agroindústrias catarinenses.

Por que a produtividade do milho continua aumentando?

Mesmo com a redução da área destinada ao cultivo de milho grão nos últimos dez anos, a produtividade da cultura segue em crescimento. Nas duas últimas safras, a média estadual ultrapassou 9 toneladas por hectare, chegando a 9,4 toneladas por hectare.

De acordo com Haroldo Tavares Elias, da Epagri/Cepa, esse desempenho é resultado da combinação entre condições climáticas favoráveis e investimentos realizados pelos produtores em tecnologia, manejo adequado, fertilidade do solo e variedades adaptadas às condições de Santa Catarina.

Além disso, ações de pesquisa e extensão rural voltadas ao controle da cigarrinha-do-milho e à conservação do solo também contribuíram para manter a produção elevada, mesmo diante da diminuição da área cultivada.

Quais são as expectativas para a safra 2026/27?

O cenário para a próxima safra é considerado positivo pelos especialistas. A previsão de atuação do fenômeno El Niño na Região Sul pode favorecer o desenvolvimento das lavouras, principalmente pela expectativa de maior disponibilidade de chuvas durante o período de cultivo.

Segundo Enori Barbieri, da Câmara Setorial do Milho do Ministério da Agricultura, esse cenário climático cria uma oportunidade para que os produtores realizem uma lavoura tecnicamente bem conduzida e alcancem bons resultados de produtividade.

O mercado pode favorecer os produtores catarinenses?

Além das condições climáticas, o mercado também pode contribuir para uma safra mais rentável. A possibilidade de redução da segunda safra de milho no Centro-Oeste, somada à elevada demanda das cadeias de proteína animal e da produção de etanol, tende a manter os preços em patamares mais atrativos.

Para Barbieri, uma oferta nacional menor pode valorizar o produto e ampliar as oportunidades para os produtores catarinenses. Esse cenário reforça a importância do planejamento da próxima safra e da adoção de tecnologias que permitam aproveitar as condições favoráveis.

Por que o milho é estratégico para Santa Catarina?

O secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Admir Edi Dalla Cort, destacou que o milho é uma das culturas mais importantes para o agronegócio catarinense, especialmente por abastecer cadeias produtivas que têm forte participação na economia estadual.

Segundo ele, acompanhar de perto o comportamento da safra, do mercado e das perspectivas futuras permite que produtores, técnicos e gestores públicos planejem melhor suas ações e tomem decisões com maior segurança, fortalecendo a competitividade da cadeia do milho em Santa Catarina.

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