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Governo anuncia medidas para combustíveis com impacto de R$ 7 bilhões por mês

Pacote reduz tributos sobre gasolina e etanol e prevê nova subvenção de R$ 1 por litro de diesel diante da alta do petróleo no mercado internacional

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

As novas medidas anunciadas pelo governo federal para conter a alta dos combustíveis terão impacto estimado de R$ 7 bilhões por mês. O pacote inclui redução temporária de tributos sobre gasolina e etanol e uma nova subvenção para o diesel.

As ações foram anunciadas nesta quarta-feira (9) em meio à alta do preço internacional do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio.

Segundo o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, as medidas serão financiadas dentro do espaço fiscal disponível pelo governo.

“Estamos fazendo uso do espaço fiscal de que dispomos, sem pedir espaço adicional”,

afirmou o ministro.
- Continua após o anúncio -

Quanto será reduzido nos tributos da gasolina e do etanol?

Um decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva reduz em R$ 0,63 por litro as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins cobradas sobre a gasolina. Com a mudança, a tributação federal passa para R$ 0,16 por litro.

No caso do etanol hidratado, os tributos federais serão zerados temporariamente. A medida representa uma redução de R$ 0,19 por litro.

As mudanças entram em vigor em 10 de setembro e permanecem até 9 de outubro. Elas substituem a subvenção anterior para a gasolina, que era de R$ 0,44 por litro.

O governo estima que a desoneração da gasolina e do etanol terá impacto de aproximadamente R$ 2 bilhões por mês.

Como funcionará o novo subsídio ao diesel?

Uma medida provisória autoriza uma nova subvenção de R$ 1 por litro de diesel rodoviário para produtores e importadores.

O valor ainda será regulamentado pelo Ministério da Fazenda. A regra prevê revisão a cada 30 dias, o que permite alterar, interromper ou prorrogar o benefício de acordo com as condições do mercado.

O custo estimado da nova medida é de R$ 5 bilhões em setembro, dependendo da adesão das empresas.

Quanto as medidas vão custar aos cofres públicos?

Considerando as novas ações, o impacto mensal estimado chega a R$ 7 bilhões.

Em setembro, porém, a conta pode ser maior. A atual subvenção de R$ 1,12 por litro de diesel termina em 27 de setembro e representa um custo de aproximadamente R$ 5,5 bilhões por mês. Somada à nova política, a despesa ou renúncia estimada para o mês chega a R$ 12,5 bilhões.

Entre março e agosto, o governo gastou ou deixou de arrecadar cerca de R$ 25 bilhões com medidas destinadas a conter os preços dos combustíveis. Com setembro, o total de 2026 chega a aproximadamente R$ 37,5 bilhões.

De onde virão os recursos para bancar as medidas?

O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, afirmou que o governo espera obter mais de R$ 10 bilhões em receitas extraordinárias de petróleo para ajudar a financiar as desonerações.

Já a subvenção do diesel será custeada por crédito extraordinário autorizado por medida provisória.

O impacto da medida será incluído no próximo Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, previsto para 24 de setembro. O documento poderá indicar a necessidade de contingenciamento, que é o congelamento temporário de despesas não obrigatórias, caso seja necessário cumprir as metas fiscais.

Por que o governo decidiu mexer nos preços dos combustíveis?

A principal justificativa apresentada pelo governo é a alta do petróleo no mercado internacional após o agravamento da guerra no Oriente Médio.

O barril do petróleo Brent, referência internacional, fechou esta quarta-feira (9) cotado a US$ 101,21, com alta de 3,36%.

O governo afirma que as medidas têm caráter temporário e buscam reduzir o impacto da alta internacional sobre os preços praticados no mercado brasileiro.

O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, rejeitou a avaliação de que o pacote tenha caráter populista. Segundo ele, a intenção é suavizar os efeitos da alta do petróleo sobre os derivados.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, também defendeu medidas limitadas e temporárias para proteger consumidores durante o período de pressão sobre os preços.

As medidas anteriores conseguiram reduzir o preço do diesel?

De acordo com o governo federal, as medidas adotadas anteriormente contribuíram para conter os preços dos combustíveis no Brasil.

Durante o período de guerra, o diesel caiu 6% no Brasil, enquanto registrou alta de 25% na Alemanha, segundo os dados apresentados pelo governo.

Apesar da redução recente, os preços praticados no Brasil ainda permanecem acima dos níveis registrados antes do início do conflito.

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