
⚡ Em Resumo:
- O que é: Estudo identificou 396 novos geoglifos escondidos sob a floresta amazônica com tecnologia de mapeamento a laser (LiDAR).
- Números/Dados: 396 novas estruturas, total de 432 geoglifos mapeados, área de 185 mil km² e estimativa de até 30 mil geoglifos.
- Onde: Acre, sul do Amazonas, Norte de Rondônia e áreas da Bolívia e do Peru.
- Quem afeta: Pesquisadores, arqueólogos, órgãos de preservação, produtores rurais e gestores ambientais.
Como os pesquisadores encontraram os novos geoglifos?
Uma pesquisa publicada na revista científica Nature revelou a descoberta de 396 novos geoglifos escondidos sob a floresta amazônica. O levantamento utilizou a tecnologia LiDAR, um sistema de mapeamento a laser capaz de registrar o relevo abaixo da vegetação, permitindo identificar estruturas que não eram visíveis por imagens de satélite.
Os sobrevoos partiram de Rio Branco e de Manoel Urbano, no Acre, cobrindo uma área de aproximadamente 4,8 mil quilômetros quadrados que engloba o Acre, o sul do Amazonas e regiões da Bolívia e do Peru.
O que são os geoglifos?
Os geoglifos são grandes construções feitas com valas e estruturas de terra, geralmente em formatos geométricos. Eles representam vestígios da ocupação humana na Amazônia antes da chegada dos europeus e são considerados importantes patrimônios arqueológicos.
Antes do uso da tecnologia LiDAR, essas estruturas eram encontradas principalmente em áreas desmatadas, onde podiam ser identificadas por imagens aéreas e de satélite.
O que o estudo descobriu?
Segundo o coordenador da equipe brasileira, o botânico Evandro Ferreira, da Universidade Federal do Acre (Ufac), apenas 36 geoglifos eram conhecidos na área pesquisada antes do levantamento. Com a nova tecnologia, o número saltou para 432 estruturas mapeadas.
A pesquisa também permitiu estimar que uma região de cerca de 185 mil quilômetros quadrados pode abrigar até 30 mil geoglifos ainda escondidos sob a floresta, superando projeções anteriores que apontavam aproximadamente 10 mil estruturas desconhecidas em toda a Amazônia.
O que as descobertas revelam sobre os povos antigos?
Os resultados indicam que antigos povos amazônicos ocuparam não apenas as margens dos grandes rios, mas também regiões entre os cursos d’água, conhecidas como interflúvios. Essa constatação demonstra que essas populações desenvolveram técnicas para sobreviver em locais mais distantes das principais fontes de água.
Os pesquisadores associam as estruturas à civilização Aquiry. Os primeiros geoglifos começaram a ser construídos entre 600 e 400 anos antes de Cristo, enquanto as obras mais recentes datam de aproximadamente 900 d.C., indicando cerca de 1,5 mil anos de ocupação humana na região.
Qual era o tamanho dessa população?
Com base na quantidade de estruturas e no esforço necessário para construí-las, os cientistas estimam que, entre os anos 100 e 300 d.C., a população ligada aos geoglifos pode ter variado entre 1,25 milhão e 3 milhões de pessoas ao longo desse período.
Os pesquisadores ressaltam que essa estimativa não representa a população vivendo simultaneamente, mas sim o total de pessoas envolvidas na ocupação e construção das estruturas durante vários séculos.
Quais são os desafios para preservar os geoglifos?
O estudo também chama atenção para a necessidade de preservar esse patrimônio arqueológico diante da expansão da agricultura mecanizada no sul da Amazônia.
Como os geoglifos são protegidos por lei, a descoberta de novas estruturas pode influenciar o uso de determinadas áreas e exigir medidas de conservação. Segundo os pesquisadores, o avanço do desmatamento tende a revelar mais geoglifos, aumentando o desafio de conciliar a preservação histórica com o desenvolvimento econômico da região.
Com informações do potal G1






