
⚡ Em Resumo:
- O que é: Pesquisa arqueológica analisou resíduos de alimentos preservados em panelas antigas para descobrir hábitos alimentares do século 19 em Santa Catarina.
- Números/Dados: Foram estudados 182 fragmentos de cerâmica de quatro sítios arqueológicos da Baía da Babitonga.
- Onde: Região da Baía da Babitonga, entre Joinville e São Francisco do Sul, em Santa Catarina.
- Quem afeta: O estudo ajuda a compreender a história de colonos europeus, indígenas, africanos e afrodescendentes que viveram na região.
Como pesquisadores descobriram o que era preparado nas panelas antigas?
Pesquisadores analisaram fragmentos de cerâmica usados há mais de 100 anos para reconstruir hábitos alimentares de diferentes grupos que viveram em Santa Catarina no século 19. A partir de moléculas de gordura preservadas nos poros das panelas, o estudo identificou quais alimentos eram preparados por colonos europeus, indígenas, africanos e afrodescendentes.
A pesquisa examinou 182 fragmentos de cerâmica encontrados em quatro sítios arqueológicos da Baía da Babitonga, região que atualmente envolve os municípios de Joinville e São Francisco do Sul.
O que a pesquisa revelou sobre a alimentação da época?
O estudo apontou uma diferença significativa entre os grupos analisados. Colonos europeus, principalmente alemães recém-chegados à região, tinham uma alimentação mais baseada em carne, gordura animal e laticínios, produtos associados ao acesso à terra e à criação de animais.
Já comunidades indígenas, africanas e afrodescendentes apresentavam maior presença de alimentos vindos da pesca e da coleta, como peixes e frutos do mar, além de produtos como milho, mandioca e feijão.
Segundo os pesquisadores, a diferença não estava apenas nas preferências alimentares, mas nas condições de acesso aos recursos disponíveis.
Por que a posse de terra influenciava a comida consumida?
De acordo com a análise, famílias que possuíam terras ou estavam inseridas no mercado formal tinham maior acesso a animais criados para consumo e a plantações próprias.
Por outro lado, grupos sem propriedade ou com menor acesso econômico dependiam mais de recursos disponíveis na natureza, como a pesca na região costeira da Baía da Babitonga.
Os pesquisadores destacam que a alimentação funcionava como um reflexo das desigualdades sociais existentes naquele período.
Como a cerâmica conseguiu preservar restos de alimentos por tanto tempo?
Durante o preparo das refeições, parte das gorduras dos alimentos penetrava nos pequenos poros da cerâmica. Mesmo depois de décadas, esses resíduos permaneceram preservados e puderam ser analisados em laboratório.
Os cientistas retiraram pequenas quantidades de material dos fragmentos e aplicaram técnicas como cromatografia gasosa e análise de isótopos de carbono para identificar a origem dos alimentos.
Cada tipo de alimento deixa uma assinatura química diferente, permitindo diferenciar gorduras de animais terrestres, peixes e vegetais.
Quais alimentos foram identificados nas panelas?
Além dos sinais de consumo de peixe e frutos do mar, os pesquisadores encontraram evidências compatíveis com o preparo de diversos alimentos, como milho, arroz, mandioca, feijão, frutas, verduras, ovos de galinha e gorduras animais.
Em algumas amostras, também foi possível identificar vestígios de peixes da família dos corvinídeos e componentes presentes na gema de ovo.
O que o estudo revela sobre a história de Santa Catarina?
A pesquisa mostra que a comida do cotidiano também ajuda a contar a história das relações sociais. As panelas analisadas revelam como diferentes comunidades enfrentavam condições distintas de acesso aos recursos naturais e econômicos.
Segundo os pesquisadores, a arqueologia molecular permite recuperar aspectos da vida de pessoas comuns que muitas vezes não aparecem em documentos históricos, revelando detalhes sobre cultura, desigualdade e sobrevivência no passado.
Com informações do portal G1






