
O Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC) completou 100 anos em 26 de setembro de 2026. A data encerrou uma programação iniciada em janeiro e marcou também um dos maiores ciclos de investimentos da história da corporação, com renovação da frota, formação da primeira turma de militares temporários, criação de um novo batalhão no Extremo Sul e ampliação da preparação para desastres.
A história do CBMSC começou em 26 de setembro de 1926, quando a Seção de Bombeiros da Força Pública iniciou as atividades na Rua Tenente Silveira, no Centro de Florianópolis. Na época, eram 27 praças e um oficial, sob o comando do 2º tenente Waldemiro Ferraz de Jesus.
Um século depois, a corporação conta com mais de 3,2 mil bombeiros militares, 17 batalhões e cerca de 200 quartéis distribuídos por 146 municípios. Ao longo do ano, são atendidas aproximadamente 195 mil ocorrências.
“Estamos diante de um cenário em que não só completamos cem anos de história, mas de evolução. Com novo efetivo, novos equipamentos e o maior investimento da nossa frota. Eu tenho falado que não é só celebrar os 100 anos, mas projetar os próximos cem”, afirmou o comandante-geral do CBMSC, coronel Fabiano de Souza.
Como está estruturada a corporação após 100 anos?
Atualmente, o CBMSC possui uma estrutura que abrange operações terrestres, aéreas e aquáticas. No ar, são três aviões, dois helicópteros e 60 drones. Em terra, a corporação conta com 193 ambulâncias e 240 caminhões. Na água, são 263 embarcações e botes.
O trabalho também conta com cerca de 5 mil bombeiros comunitários. Durante a alta temporada, outros 2 mil guarda-vidas civis atuam em 434 postos distribuídos ao longo de 348,3 quilômetros de praias em 33 municípios catarinenses.
Além do atendimento às ocorrências, a corporação atua na prevenção. Por ano, são analisados 46.312 projetos de edificações, entre vistorias, análises e atestados.
O Programa Golfinho já soma mais de 50 mil formações desde 1998, enquanto cerca de 40 mil crianças participaram do Bombeiro Mirim. Segundo o CBMSC, o trabalho da corporação também contribui para preservar, em média, R$ 3 bilhões por ano em bens de famílias e empresas catarinenses.
Quais investimentos marcaram o centenário do CBMSC?
Entre 2023 e 2025, o CBMSC incorporou 336 viaturas, em um investimento de R$ 169 milhões. Em 2026, outros R$ 88 milhões foram destinados à renovação da frota pesada.
Em junho, chegaram 56 caminhões, sendo 42 destinados ao combate a incêndios e resgates e 14 caminhões-tanque. O investimento foi de R$ 76,6 milhões, considerado a maior entrega de veículos pesados da história do Estado.
Até dezembro, a previsão é que todos os caminhões de combate a incêndio estejam dentro do limite de 15 anos de uso estabelecido pelo Plano Estratégico da corporação. A meta ainda prevê que todos os quartéis recebam um compressor torácico automático para auxiliar nos atendimentos de reanimação.
Como foi a semana de comemoração dos 100 anos?
A programação principal começou em 19 de setembro, com a 4ª Corrida do Fogo, realizada na Beira-Mar Continental. Cerca de 2 mil pessoas participaram do evento, que ocorreu sob chuva. Antes da largada, equipes do CBMSC ensinaram técnicas de reanimação cardiopulmonar e atendimento a engasgos.
No dia 20, uma missa marcou o centenário. Já no dia 21, o Centro de Ensino Bombeiro Militar (CEBM) recebeu uma homenagem aos bombeiros tombados. Ao todo, foram lembrados 36 nomes, entre bombeiros militares, comunitários e o cão de busca Barney.
No dia 22, a corporação homenageou ex-comandantes-gerais. Na quarta-feira, 23, o Concerto do Centenário lotou os 906 lugares do Centro Integrado de Cultura (CIC). Os ingressos gratuitos se esgotaram em dois dias, e a apresentação foi transmitida ao vivo.
A sexta-feira, 25 de setembro, véspera da data oficial do centenário, teve a maior solenidade da história do CBMSC, no Centro de Eventos Luiz Henrique da Silveira.
Na ocasião, 653 soldados formaram a primeira turma de praças temporários, distribuídos em 12 pelotões. A chamada Turma Centenário também marcou a maior formatura já realizada pela corporação.
Durante a cerimônia, o CBMSC ainda condecorou os 100 bombeiros militares mais antigos vivos do Estado e os ex-comandantes-gerais com a Medalha do Centenário. Também houve uma homenagem ao primeiro comandante da corporação, recebida por quatro gerações de sua família.
O que foi apresentado durante a solenidade do centenário?
A cerimônia também marcou o lançamento de dois livros sobre a história da corporação. A obra “100 Anos de Vigília”, do coronel Milton Antônio Lazzaris, comandante-geral de honra, reúne 688 páginas e mais de uma década de pesquisa.
Também foi apresentado o livro “100 Anos do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina: por elas e por eles”, organizado pela coronel RR Adriana Souza da Silva e com relatos de 25 autores.
Durante o evento, o CBMSC apresentou ainda um novo estandarte, um novo vídeo institucional e o projeto da primeira sede própria do Comando-Geral.
A solenidade terminou com o tradicional banho de batismo dos 653 formandos, considerado o maior já realizado pela corporação.
Quais ações marcaram os primeiros meses do ano do centenário?
A programação começou em 26 de janeiro, com o lançamento do primeiro livro dos 100 anos. A publicação tem 368 páginas, 543 fotografias e cerca de 280 marcos históricos. O material foi distribuído para bibliotecas de todo o Estado e também está disponível gratuitamente em formato digital.
Quatro dias depois, o governador Jorginho Mello recebeu a Medalha do Centenário nº 001 e foi autorizada a compra dos 56 caminhões posteriormente entregues à corporação.
Em março, as 16 equipes da antiga Força-Tarefa atuaram simultaneamente em quatro situações no Alto Vale do Itajaí: incêndio florestal em Ibirama, enxurrada em Aurora, deslizamento em Trombudo Central e estruturas colapsadas em Pouso Redondo.
A atividade foi considerada o maior simulado de desastres da história do CBMSC. Depois disso, as equipes passaram a ser denominadas Grupos de Resposta a Desastres.
Em maio, a portaria que instituiu o Dia Estadual do Bombeiro Veterano tornou permanente a homenagem aos profissionais que passam para a reserva. No mesmo período, a Banda de Música iniciou sua primeira turnê, com apresentações em Itajaí, Chapecó, Lages e Criciúma, além da Capital.
Em junho, uma sessão especial da Assembleia Legislativa homenageou 25 militares. O mês também marcou os 23 anos da separação do CBMSC da Polícia Militar, estabelecida pela Emenda Constitucional nº 33, de 13 de junho de 2003.
O que mudou na estrutura do CBMSC em 2026?
Em 2 de julho, Dia do Bombeiro, Araranguá recebeu o 17º Batalhão do CBMSC. A nova estrutura passou a ter comando próprio para atender os 15 municípios do Extremo Sul de Santa Catarina.
Duas semanas depois, Blumenau e Indaial sediaram o II Simulado Integrado da Região Sul. Cerca de 180 profissionais de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul participaram dos treinamentos voltados à resposta a enchentes, diante da previsão de influência de um novo El Niño.
Quais eventos ainda estão previstos até o fim do ano?
As comemorações do centenário continuam até dezembro. Em 24 de outubro, a Banda de Música encerra a turnê em Blumenau, durante a Oktoberfest.
No dia 31 de outubro, será realizado o Baile dos 100 Anos. Entre 25 e 27 de novembro, Santa Catarina recebe o Conabom 2026, considerado o maior encontro de bombeiros da América Latina. A programação inclui a Olimpíada Catarinense de Bombeiros, provas com cães de busca e a competição Bombeiro de Aço.
A final da Copa Santa Catarina está prevista para 29 de novembro. Já o jantar de encerramento do centenário será realizado em 10 de dezembro.
“Este centenário não é meu, nem do comando. É de cada homem e cada mulher que vestiu a farda nesses cem anos e dos que ainda vão vestir. O que celebramos não é o que construímos; é a certeza de que quem vier depois vai chegar mais rápido e mais longe do que nós chegamos. Esse é o legado: deixar a corporação melhor do que a encontramos”, concluiu o coronel Fabiano de Souza.












