

Era 23 de agosto de 2017. A Chapecoense enfrentaria o Corinthians naquela noite, na Arena Condá. Ederson Pedroso de Marins havia ido ao estádio para realizar um serviço como soldador, mas não ficou para assistir à partida. Voltou para casa, no Rodeio Chato, para acompanhar o jogo pela televisão com a família.
Por volta das 19h05, um homem invadiu a residência e anunciou um assalto. Ederson estava com a esposa e o filho e acabou reagindo.
“Na hora, eu estava com esposa e filho em casa e acabei reagindo. O primeiro tiro atravessou a boca e saiu. O segundo pegou no peito, mas não caí, devido à adrenalina. Quando levei o terceiro, senti o ombro cair. Tentei correr para a cozinha para pegar algo e levei mais dois tiros, nas costas e na nuca, e perdi a sensibilidade das pernas”, relembrou.
Mesmo ferido, Ederson permaneceu consciente. O assaltante fugiu levando o carro da família. No hospital, veio uma das notícias mais difíceis: ele não voltaria a andar.
“Isso foi mais que um tiro, foi um baque enorme. O médico disse que a transição seria de dois a três anos. Fiquei abatido, mas pensei: não vou ficar todo esse tempo deitado. Com seis meses, eu já conseguia levantar, sentar e ir para a cadeira. Foi um aprendizado crucial para mim. Em um ano, já estava independente”, contou.
Do esporte à superação
Antes do crime, Ederson já tinha uma relação próxima com o esporte. Ele praticava Muay Thai e Jiu-Jitsu e havia conquistado premiações em competições. A condição física contribuiu para o processo de recuperação.
Depois de um período de adaptação, decidiu voltar a praticar uma modalidade esportiva e procurou a Secretaria de Esportes de Chapecó.
Primeiro, tentou o atletismo, mas não se adaptou. Foi então que encontrou na bocha uma ligação com a infância.
“Quando era criança, jogava na cancha de areia que meu pai tinha, junto a um barzinho. Com oito, nove anos, foi meu primeiro contato com a bocha. Agora voltei depois de tanto tempo e está me ajudando muito, tanto psicologicamente como fisicamente”, afirmou.
Para Ederson, o esporte passou a representar mais do que uma competição. É uma forma de ocupar a mente, estabelecer objetivos e seguir em frente junto da família.
Em busca do ouro
A participação nos Parajasc também se tornou parte dessa trajetória. Na edição realizada em Lages, em 2025, Ederson conquistou a medalha de bronze na bocha.
Agora, em sua terceira participação nos Jogos, o objetivo é subir ao lugar mais alto do pódio.
“Em Lages, a gente perdeu por não conhecer a cancha, mas chegamos no top 3. Agora, jogando em casa, onde conhecemos a cancha, vamos ver se pegamos o primeiro”, disse.
Para alcançar o objetivo, Ederson conta com o incentivo da esposa, dos três filhos biológicos, três filhos de coração e dois netos.
A rotina de preparação também exige dedicação. Para ele, os Parajasc representam superação e funcionam como uma forma de terapia.
“Hoje percebo que o ser humano é o mais adaptável da face da Terra. Independentemente de qual provação você tenha na vida, você consegue se adaptar ao que vier. Basta querer. Mas tem que ter dedicação, levantar às 6h para treinar às 9h, seja com chuva ou frio. Tem que ter vontade”, concluiu.







