
A liderança da comunidade venezuelana em Chapecó e agente de integração da Pastoral do Migrante, Genesis Perez, conversou com o jornalismo da Condá FM sobre a repercussão entre os compatriotas da megaoperação dos Estados Unidos que prendeu, na madrugada deste sábado (3), o agora ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro.
Genesis afirma que seu posicionamento não se orienta por disputas ideológicas, nem por alinhamentos automáticos à direita ou à esquerda: “Não falo a partir de narrativas políticas, mas a partir da realidade concreta dos fatos e da vivência histórica do povo venezuelano”.
Perez afirma com clareza que, para ela, a Venezuela ainda não é um país livre: !Declarações que anunciam uma libertação definitiva não correspondem à realidade atual. A retirada ou neutralização de uma liderança específica não significa o desmonte das estruturas de poder que sustentam um regime autoritário há anos. Os principais mecanismos de repressão, corrupção e controle social seguem operando”.
Genesis aponta que a Venezuela enfrenta um processo complexo de transição, ainda inconcluso, marcado pela permanência de estruturas estatais associadas ao crime organizado e pela ausência de garantias democráticas plenas: “Ignorar isso é substituir a verdade por conveniência política”.
Perez se coloca contrária a qualquer tipo de intervenção ou invasão estrangeira: “A história demonstra que ações externas não libertam povos, apenas deslocam centros de poder e aprofundam o sofrimento da população. A democracia não pode ser imposta de fora, nem construída sobre a violência”.
Genesis defende uma saída política, interna, gradual e sem derramamento de sangue, que preserve vidas, respeite a soberania do país e permita que todos os responsáveis por crimes contra o povo respondam dentro do marco do direito e da justiça: “Meu compromisso é com o povo venezuelano, com a verdade dos fatos e com a defesa da vida. Se essa posição desagrada setores políticos específicos, isso não me preocupa. O que me preocupa é que a realidade seja dita com honestidade e que o sofrimento do povo não seja instrumentalizado por nenhuma força ideológica”.
Saída de venezuelanos de Chapecó
Questionada sobre a preocupação de empresários em relação a uma possível saída em massa de trabalhadores migrantes, especialmente venezuelanos, Perez avalia que esse temor, neste momento, é prematuro: “A situação política da Venezuela ainda é incerta e transitória. Não houve um desmonte das estruturas que sustentam a crise no país, e processos dessa natureza não se resolvem no curto prazo. Por isso, não há indicativos concretos de um retorno imediato e em massa da população migrante”.
Para Genesis, é natural que, diante de acontecimentos recentes, exista um clima de emoção e esperança entre os venezuelanos, especialmente pelo fato de uma das figuras centrais do regime ter sido capturada: “No entanto, isso não significa que as condições reais de segurança, estabilidade econômica e liberdade já estejam garantidas para um retorno seguro”.
De acordo com Perez, a Venezuela pode seguir diferentes caminhos: uma transição gradual, um período prolongado de instabilidade ou até o agravamento de conflitos: “Diante dessa complexidade, a tendência é que a maioria das pessoas mantenha sua vida, trabalho e vínculos onde já estão estabelecidas, especialmente em regiões como Chapecó, onde a população migrante é parte fundamental da economia local”. Genesis conclui afirmando que a expectativa é de continuidade, não de ruptura imediata, tanto no mercado de trabalho quanto na presença da população migrante na região.





