
Um serviço criado para bloquear ligações indesejadas gerou uma disputa entre operadoras de telefonia na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O Vivo Anti-spam, ferramenta que promete identificar e impedir chamadas massivas e fraudulentas, passou a ser questionado por empresas que afirmam que o sistema também bloqueou ligações consideradas legítimas.
Segundo as operadoras que fizeram reclamações, chamadas de hospitais, órgãos públicos e empresas de atendimento teriam sido interrompidas pelo filtro.
Como funciona o Vivo Anti-spam?
O sistema da Vivo é ativado automaticamente em novas linhas da operadora e tem como objetivo identificar chamadas suspeitas antes que elas cheguem aos clientes.
De acordo com a empresa, a ferramenta analisa dois pontos principais: se a ligação foi autenticada e o comportamento do número de origem. A operadora afirma que o bloqueio ocorre apenas em chamadas consideradas massivas e sem identificação.
A Vivo também informou que o serviço existe desde novembro de 2024 e passou por uma fase de testes com cerca de 700 mil usuários antes de ser ampliado para toda a base de linhas ativas.
Quais empresas reclamaram do bloqueio de chamadas?
Ao menos sete empresas apresentaram questionamentos à Anatel contra o funcionamento do sistema. A TIM afirmou que usuários tiveram restrições consideradas indevidas, mas não comentou o caso.
A Adyl Telecom relatou que mais de 16 mil ligações foram interrompidas desde o início de junho e afirmou que hospitais e órgãos públicos foram afetados.
Já a 3corp Technology informou que mais de 800 números da Prefeitura de Araçatuba foram bloqueados. Segundo a empresa, as linhas eram usadas para serviços públicos nas áreas de saúde, segurança e educação.
Por que existe uma disputa sobre os critérios de bloqueio?
A principal discussão entre as operadoras envolve os critérios usados para definir quais chamadas devem ser impedidas.
Especialistas explicam que sistemas anti-spam funcionam de forma semelhante aos filtros de e-mail, podendo identificar corretamente ameaças, mas também bloquear comunicações legítimas por engano.
A análise da Anatel busca definir mecanismos que permitam combater chamadas fraudulentas sem prejudicar serviços que dependem do contato telefônico.
O que é o sistema Origem Verificada?
Parte das empresas que reclamaram afirmou que até números autenticados pelo sistema Origem Verificada foram afetados pelo bloqueio.
A tecnologia utiliza o padrão internacional STIR/SHAKEN, que permite verificar se o número utilizado na chamada pertence realmente à empresa cadastrada junto às operadoras.
O objetivo do sistema é reduzir golpes envolvendo o chamado spoofing, prática em que criminosos usam números falsificados para esconder a origem das ligações.
O que diz a Vivo sobre as reclamações?
A Vivo afirma que trabalha para combater chamadas automáticas indesejadas e fraudes envolvendo números falsificados. A empresa declarou à Anatel que não bloqueia ligações que seguem as regras do sistema anti-spam e do Origem Verificada.
A operadora informou ainda que empresas afetadas podem solicitar uma análise pelo site da Vivo. Clientes que não desejam utilizar o recurso também podem desativar o serviço pelo aplicativo da companhia.
Qual será o próximo passo da Anatel?
A Anatel informou que está analisando os casos apresentados pelas empresas e que abriu espaço para a defesa da Vivo.
O objetivo da agência é encontrar uma solução que mantenha a proteção contra ligações fraudulentas, mas preserve chamadas legítimas feitas por empresas e serviços públicos.
Fonte: G1







