
Em Santa Catarina, o empreendedorismo feminino deixou de ser apenas uma tendência e se consolidou como um dos motores da economia local. Dados recentes mostram que o estado está entre os que apresentam maior proporção de mulheres donas de negócio no país: 13,9% da população feminina com 14 anos ou mais lidera um empreendimento, índice que coloca o estado no topo do ranking nacional ao lado do Rio de Janeiro.
O avanço se torna ainda mais simbólico às vésperas do Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março. No Brasil, 10,4 milhões de mulheres são donas de negócios, o equivalente a 34% do total de empreendedores. E o ritmo de crescimento chama atenção: o número de empreendedoras cresceu 26,8% nos últimos dez anos, enquanto entre os homens o avanço foi de 10,6%.
Para o presidente do Sebrae, Décio Lima, o fenômeno revela uma transformação social profunda no país. “Quando uma mulher decide empreender, ela não está apenas abrindo um negócio. Muitas vezes está mudando o destino da própria família e da comunidade ao redor”, afirma. “O empreendedorismo feminino representa geração de renda, inclusão produtiva e, principalmente, autonomia.”
Mulheres que sustentam suas casas
Os dados ajudam a explicar a dimensão desse movimento. Quase metade das empreendedoras brasileiras (49%) são mulheres negras, e 53,7% são chefes de domicílio, responsáveis diretas pelo sustento da casa.
A maioria das donas de negócios está na faixa entre 30 e 49 anos (51,3%), uma fase da vida em que muitas conciliam trabalho, família e responsabilidades domésticas. Ainda assim, as mulheres dedicam em média 34 horas semanais ao negócio, carga inferior às 40 horas registradas entre os homens, reflexo da dupla jornada ainda presente na realidade feminina.
Segundo Décio Lima, o crescimento desse grupo evidencia uma busca cada vez maior por independência econômica. “Empreender tem sido um caminho de liberdade para muitas mulheres. Em vários casos, significa romper barreiras históricas, conquistar independência financeira e até sair de situações de vulnerabilidade ou relacionamentos abusivos”, observa.
Salões de beleza puxam crescimento

Entre os setores que mais refletem essa força feminina está o da beleza, tradicionalmente liderado por mulheres. Levantamento do Sebrae aponta que 235.708 novos negócios de cabeleireiros e tratamentos de beleza foram abertos em 2025, um crescimento de quase 18% em relação a 2024, quando foram registrados 199.876 empreendimentos.
A grande maioria dessas empresas nasce pequena. 94% são pequenos negócios, sendo 221.455 microempreendedores individuais (MEI), além de 12.455 microempresas e 1.679 empresas de pequeno porte.
O ritmo impressiona: em média, um salão de beleza foi aberto no Brasil a cada 2 minutos e 13 segundos no último ano. Entre os MEIs do setor, o clima é de confiança. Cerca de 57% acreditam que 2026 será melhor para os negócios do que o ano anterior.
Pequenos negócios em expansão
O empreendedorismo feminino também acompanha um cenário geral de expansão dos pequenos negócios no país. Em 2025, 4,9 milhões de pequenas empresas foram abertas, contra 4,1 milhões em 2024 e 3,7 milhões em 2023. Considerando todos os portes, o Brasil registrou 5,1 milhões de novos empreendimentos, segundo dados da Receita Federal.
Para Décio Lima, os números indicam que o empreendedorismo feminino deve continuar crescendo, especialmente em estados com forte cultura empreendedora como Santa Catarina. “Santa Catarina tem uma tradição de iniciativa e inovação. Quando as mulheres ocupam esse espaço, o resultado é um ciclo virtuoso de desenvolvimento econômico e social”, afirma. “Investir no empreendedorismo feminino é investir em um país mais justo, mais produtivo e com mais oportunidades.”
À medida que o país se aproxima de mais um Dia da Mulher, os números revelam que o protagonismo feminino nos negócios não é apenas uma estatística econômica, é também um movimento silencioso de transformação social, que começa em pequenos salões, lojas ou serviços e se espalha por todo o Brasil.







